Quinta-feira, 17 de setembro de 2009 às 12:52
Plantar cana com consciência para plantar sempre e mais

Mapa do Brasil com as áreas aptas para o plantio da cana-de-açúcar, segundo o Zoneamento Agroecológico elaborado pela Embrapa. Fonte: Embrapa.
O plantio da cana-de-açúcar ocupa menos de 1% das terras agriculturáveis do Brasil, mas mesmo assim o País é hoje o maior produtor e exportador de açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol. Para garantir o crescimento constante dessa produção sem agredir o meio ambiente, o governo está lançando nesta quinta-feira o Zoneamento Agroecológico
da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), amplo estudo feito pela Embrapa.
A partir deste estudo do clima e solo brasileiros -que traz uma série de restrições ambientais, econômicas e sociais-, a orientação do governo é de que o País não utilize mais que 7,5% do seu território para o plantio da cana, como mostra o mapa acima. Um Projeto de Lei será encaminhado ao Congresso Nacional, com regras para a expansão da produção e para a concessão de créditos no setor.
O estudo prevê, por exemplo, o uso de terras de pecuária para a produção de cana-de-açúcar. O ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), conversou com o Blog do Planalto e explicou como isso funcionaria:
Frente à demanda mundial por biocombustíveis e à potencialidade de liderança do Brasil no setor, a idéia do estudo da Embrapa é disciplinar a produção de cana no País, garantindo um crescimento sustentável, sem agredir o meio ambiente e atendendo ao interesse de todos envolvidos.

Tabela com as áreas aptas para o plantio da cana-de-açúcar, de acordo com o tipo de uso da terra. Fonte: Embrapa
Do total de terras plantáveis hoje no País, 7,8 milhões de hectares são usados para a produção de cana-de-açúcar. De acordo com o Ministério da Agricultura, 64,7 milhões de hectares poderão ser usados para o plantio da cana sem que isso represente prejuízo ambiental.
Dentre as principais determinações trazidas pelo ZAE estão:
- Proteção de áreas com vegetação original nativa e proibição do plantio nos biomas Amazônia, Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai;
- Plantio da cana-de-açúcar em áreas onde o uso da água seja o menor possível;
- Projeto de Lei que orienta o crescimento do plantio com base na segurança alimentar e sem prejudicar a produção de alimentos;
- Buscar novos espaços para produção de cana aproveitando áreas de pastagens ou aquelas ocupadas pela pecuária.
Outra medida que faz parte do estudo é a proposta de reduzir as queimadas nas áreas de cultivo. De acordo com ela, fica proibido o uso de fogo em áreas acima de 150 hectares que permitem o uso de máquinas na lavoura. O objetivo é reduzir a emissão de gases que causam o efeito estufa numa quantidade que equivale aos gases liberados por 2,2 milhões de veículos leves.










