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Quarta-feira, 23 de dezembro de 2009 às 15:31

Sem limites para reivindicar

Na celebração do Natal dos catadores de material reciclável e população em condição de rua, nesta quarta-feira (23/12), em São Paulo, o presidente Lula incentivou à população mais carente a reivindicar sem limites. Ele determinou que o governo federal proceda um mutirão para levantar a demanda dos moradores de rua por moradias. Segundo Lula, tão logo esteja concluído o mapeamento de residências, será procedida busca da solução de utilização de prédios públicos que se encontram em estado de abandono.

Lula contou ter ficado surpreso, ontem (2/12) quando se deslocava de Manguinhos para o III Comar, no Rio, e deparou com prédios na zona portuária da capital fluminense em estado de abandono.

Ou a íntegra do discurso do presidente Lula

 

O presidente, às vezes de improviso e em ocasiões lendo o discurso, destacou a importância dos acordos celebrados nesta ocasião:

“É uma reivindicação antiga do movimento de moradia, sobretudo aqui de São Paulo. Como estes imóveis, há duas centenas de outros, pertencentes à União, que poderão ter a mesma finalidade, beneficiando milhares de famílias. Quero dizer com isso que o Estado brasileiro está corrigindo um erro histórico. A população de rua é formada por homens e mulheres iguais a todos nós. É integrada por brasileiros e brasileiras que merecem o mesmo respeito e devem ter acesso aos mesmos direitos desfrutados por todos nós. No entanto, é preciso dizer que, oficialmente, até hoje, a população de rua não existe perante o Estado, nem perante a sociedade e a cidadania do país. E não existe porque essa população sequer têm o direito mínimo de ser incluída e contada no censo demográfico do IBGE. É como se um contingente da ordem de 50 mil a 60 mil pessoas em todo o Brasil fosse invisível do ponto de vista das políticas públicas e dos programas sociais. É como se o meu amigo Anderson Miranda – que morou por 15 anos na rua, e hoje é uma das lideranças nacionais desse movimento – tivesse vivido a metade dos seus 31 anos no exílio, dentro do seu próprio país. Anderson deu a volta por cima. Hoje, ele está casado com a Janaína, tem um emprego, um lar e duas filhinhas lindas, a Maria Beatriz e a Maria Clara. A partir de agora, milhares de moradores de rua como ele terão a mesma oportunidade de dar a volta por cima, graças à Política Nacional que estamos criando”, destacou.

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