Quinta-feira, 27 de maio de 2010 às 17:28
Se a pessoa que vai negociar não estiver disposta, não haverá acordo
Presidente Lula e o primeiro-ministro a Turquia, Tayyip Erdogan, firmaram acordos bilaterais em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Lula foi bastante incisivo, nesta quinta-feira (27/5), ao comentar sobre o acordo tripartite firmado entre o Brasil, a Turquia e o Irã sobre as questões nucleares iranianas. Em declaração à imprensa, na companhia do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, Lula respondeu aos jornalistas indagando sobre por qual motivo existe tanta polêmica suscitadas se o acordo obtido com o Irã era exatamente nos termos defendidos pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O que o primeiro-ministro da Turquia e eu fizemos foi mostrar ao governo iraniano a importância de sentar à mesa e conversar. Isso tudo foi colocado no documento. Agora é preciso que as pessoas digam claramente se querem construir possibilidade de paz ou de conflito. A Turquia e o Brasil são pela paz.
Ouça a íntegra da declaração à imprensa do presidente Lula.
A íntegra da entrevista do presidente Lula e do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, no Palácio Itamaraty.
O primeiro-ministro turco disse que concordava com as afirmações do presidente Lula. Confirmou também que antes da reunião que proporcionou o acordo com Teerã, recebeu uma carta do presidente dos EUA, Barack Obama, com incentivo para que buscasse o acordo com o governo iraniano.
Os dois países são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Temos responsabilidades. Aqueles que criticam este processo são invejosos. Acreditamos que aquilo era o certo. Trabalhamos para a paz mundial e não precisamos de autorização de ninguém.
O acordo sobre a energia nuclear firmado com o Irã, dominou a pauta dos jornalistas que acompanham a visita oficial do primeiro-ministro da Turquia e mais 160 empresários daquele país. Erdogan chegou ao Palácio Itamaraty no início da tarde e iniciou reunião com o presidente Lula. Após o encontro onde fecharam os termos de atos e acordos, os dois líderes passaram ao salão ao lado do gabinete do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para assinatura de documentos.
Na declaração à imprensa, o presidente Lula disse que “acreditamos que é a flexibilidade, não o dogmatismo, que aproxima os povos; é o engajamento construtivo, não o isolamento e a punição, que nos leva ao entendimento. É esse o espírito que norteou nossa atuação na negociação com o Irã. A declaração de Teerã constitui oportunidade que não pode ser desperdiçada. Ela não resolve todos os problemas de uma única vez, mas restabelece as condições para o diálogo como caminho mais eficiente para superar divergências e construir a confiança em torno do objetivo exclusivamente pacífico do programa nuclear iraniano” , discursou.
Depois, ao responder a repórter Poliana Abrita, da Rede Globo, Lula contou a fábula da raposa que passou anos embaixo de uma parreira tentando pegar um cacho de uva. Após inúmeras tentativas, a raposa desistiu e saiu do lugar reclamando que a uva não era de qualidade. Ele fez alusão a alguns países que, como a raposa, tentam há mais de 30 anos, equacionar a questão iraniana. “Com truculência a gente não resolve nem os problemas da casa da gente” , disse.
Lula e Erdogan avaliam que os críticos do acordo de Teerã são os mesmos líderes das potências que têm energia nuclear para a fabricação, por exemplo, de armas atômicas. “ Esperamos que a Agência (AIEA) tenha sabedoria para entender” , afirmou Lula para enfatizar que o Irã vem cumprido rigorosamente os termos do acordo firmado com o Brasil e a Turquia.









