Quarta-feira, 12 de maio de 2010 às 17:41
Reforma da ONU é tema de entrevista ao jornal El País
Descrito pelo próprio jornal espanhol como “um dos políticos mais carismáticos, admirados e surpreendentes do último meio século”, o presidente Lula disse ao El País, em entrevista publicada no último domingo (9), que a geopolítica mundial já não é mais a mesma, que os países em desenvolvimento adquiriram mais peso e que, por isso, as relações políticas internacionais precisam acompanhar a nova realidade. Sob o título “Lula: O carnaval e não a guerra”, a entrevista aborda a reforma da Organização das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, entre outros temas.
“O chamado mundo desenvolvido tem que compreender que a geopolítica mudou. A democratização da África e o crescimento de países como China, Índia e alguns da América do Sul, sugerem uma nova dimensão. Eu não quero a guerra, sou um homem de diálogo, e na questão nuclear o Brasil tem uma política muito definida. Quero esgotar até o último minuto as possibilidades de um pacto com o presidente do Irã para que seu país possa continuar enriquecendo urânio, tendo nós a tranquilidade que ele só o usará para fins pacíficos. Meu limite são as decisões da ONU, a qual, aliás, pretendo mudar porque tal como está representa muito pouco. Por que o Brasil não é membro do Conselho de Segurança? Por que não é a Índia? Por que não há nenhum Estado africano? Se a ONU continua assim débil, sem representatividade, com países com direito de veto, nunca vai servir corretamente à governança global que precisamos”.
Na entrevista exclusiva, concedida dia 9 de abril na sede provisória da Presidência, Lula fez uma reflexão sobre o exercício do poder à luz de conceitos políticos como “esquerda” e “direita”. “Eu nunca gostei que me enquadrassem, menos ainda ao assumir a Presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo santo dia, tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não pode ser que eu goste de um presidente porque é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com Aznar, e me dou bem com Zapatero; tenho que me relacionar com Piñera, do Chile, da mesma forma que com Bachelet. No exercício do poder sou um cidadão, como diria?, multinacional, multiideológico, não?”.
A poucos meses de terminar seus dois mandatos, o presidente fez também um balanço do seu governo.
“Hoje só o Banco do Brasil tem mais crédito que todo o país quando eu cheguei ao poder. De modo que quando eu deixar a presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China e a Índia podem competir com uma realidade assim”. E emendou que o Brasil venceu a crise econômica mundial “porque teve coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, destravando a atividade de setores chave da economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantém nos próximos cinco anos uma política fiscal e monetária séria, investimentos e controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 pode ser a quinta economia mundial”.
Leia aqui a tradução da entrevista.










