Segunda-feira, 17 de agosto de 2009 às 17:14
Reforçando laços comerciais e políticos com o México
Lula comprimenta Calderón (México) depois de assinatura de atos que reforçam cooperação entre os dois países. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Brasil e México precisam reforçar seus laços comerciais e políticos para liderarem as discussões sobre a integração e desenvolvimento da América Latina, bem como manterem suas posições de destaque no mundo, conquistadas após a crise econômica mundial. O recado foi dado pelo presidente Lula nesta segunda-feira em cerimônia realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com a presença do presidente do México, Felipe Calderón.
Lula afirmou estar satisfeito com a visita de três dias de Calderón ao Brasil, que serviu para consolidar a parceria estratégica entre os dois países. Lula e Calderón assinaram no Itamaraty diversos atos reforçando a cooperação nas áreas de biotecnologia, agropecuária e nanotecnologia.
Brasil e México ainda têm um longo caminho pela frente para incrementar o comércio bilateral, que já dobrou em relação ao que era em 2003, atingindo US$ 7,4 bilhões, mas ainda é relativamente modesto se comparado se comparado ao total do comércio exterior de ambos os países.
Segundo Lula, a idéia é ampliar o acordo rumo ao livro comércio entre Mercosul e México, o que daria força a estratégia de diversificação dos parceiros comerciais do Brasil e internacionalização das empresas brasileiras. Hoje, as empresas mexicanas têm US$ 17 bilhões investidos no Brasil, enquanto a presença de empresas brasileiras gira em torno de US$ 1 bilhão. Lula disse esperar que os homens de negócios brasileiros sigam o exemplo mexicano e multipliquem sua presença no México.
Para o presidente brasileiro, os dois países podem tirar muito proveito da crise econômica:
Essa crise econômica, embora tenha causado prejuízos a muitos países, embora tenha causado desemprego, fechamento de empresas, quebra de bancos importantes, há uma verdade do outro lado dessa moeda da crise que nós precisamos tirar proveito dela. Eu sempre acho que uma crise vem, nem sempre para fazer apenas o mal, mas ela vem para nos desafiar e nos alertar de coisas novas que nós precisamos fazer. É inconcebível, do ponto de vista econômico, que dois países – um com 110 milhões de habitantes, outro com 200 milhões de habitantes, com PIBs sem muita diferença, com renda per capita mais ou menos igual, os dois países juntos somando 300 milhões de habitantes – é incompreensível que nós tenhamos um fluxo de balança comercial de apenas U$ 7,4 bilhões. Isso é nada na relação de dois países do tamanho do México e do Brasil. Eu acho que essa crise, presidente Calderón, tanto para o Brasil quanto para o México, está a nos obrigar a fazer no século XXI coisas que nós tanto consolidamos no século XX.
Confira aqui a íntegra da declaração de Lula feita após o encontro com Felipe Calderón:
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