Segunda-feira, 15 de março de 2010 às 14:19
Discurso em prol do diálogo é aplaudido de pé no Parlamento israelense
Em discurso no parlamento de Israel (Knesset) que foi aplaudido de pé, o presidente Lula defendeu uma solução negociada dos conflitos no Oriente Médio, notadamente entre palestinos e israelenses, e a participação de novos atores nas conversações de paz na região, além da renovação da ONU para que a instituição possa ter mais representatividade e “um papel mais ativo na busca da paz”.
O presidente brasileiro citou por duas vezes o físico Albert Einstein para reforçar seus argumentos. Na primeira citação, um chamado para que todos os envolvidos nas conversações sobre a paz procurem alternativas:
“Não se pode fazer a mesma coisa, dia após dia, e esperar resultados diferentes”, disse Lula, que discursou após o presidente do Knesset, Reuven Rivlin; o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu; e a líder da oposição em Israel, Tzipi Livni. O presidente Shimon Peres também estava presente, mas não fez discurso.
A segunda citação veio ao final do discurso:
A paz não pode ser mantida pela força. Somente pode ser alcançada pelo entendimento.
Lula lembrou sua trajetória de sindicalista e de como sempre procurou resolver os conflitos por meio do diálogo, “ainda quando ele parecia ingênuo, tarefa impossível”.
Ouça a íntegra do discurso do presidente Lula.
Lula lamentou que esforços como o da Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos (realizada em 2007), tenham sido desperdiçado e lembrou que na ocasião o Brasil reiterou sua posição sobre a coexistência necessária entre israelenses e palestinos e de repúdio ao terrorismo, “praticado sob qualquer pretexto, e por quem quer que fosse”:
Essa postura se faz mais necessária agora, quando assistimos a uma paralisaçao das negociações e iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da construção de residências em Jerusalém às vésperas do reinício de uma rodada de negociações. O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios palestinos ocupados. Mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda.
A estabilidade no Oriente Médio, afirmou o presidente Lula, não garante a paz apenas na região, mas em todo o mundo, e por isso é preciso abrir um “círculo virtuoso” de negociações na região, em busca de valores mais elevados. “A história recompensará os que seguirem este caminho”, disse.
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