Quinta-feira, 25 de março de 2010 às 23:13
Paz no Oriente Médio não é uma questão bilateral, mas multilateral
Presidente Lula é homenageado durante celebração do Dia Nacional da Comunidade Árabe no Brasil realizada em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A construção do processo de paz entre árabes e israelenses no Oriente Médio não pode ficar dependendo do estado de espírito de americanos e europeus, precisa envolver todos os interlocutores envolvidos na questão e contar com participação mais ativa e decisiva da ONU no processo, afirmou o presidente Lula nesta quinta-feira (25/3) durante comemoração do Dia Nacional da Comunidade Árabe no Brasil promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) no clube Monte Líbano, em São Paulo.
Não terá paz no Oriente Médio enquanto a gente não compreender que a ONU, que foi a instituição multilateral que criou o estado de Israel, tem a responsabilidade de trabalhar pela questão da paz -- não é uma questão bilateral, é uma questão multilateral. A ONU teria que assumir as negociações, tomar as decisões e fazer cumprir.
Veja aqui infográfico com detalhes da viagem do presidente Lula ao Oriente Médio -- a agenda, as fotos, o trajeto.
Ouça a íntegra do discurso do presidente no evento:
(vídeo institucional em homenagem ao Dia Nacional da Comunidade Árabe no Brasil)
Lula observou que não era porque estava diante da comunidade árabe que afirmava isso, porque falou o mesmo em discurso no Parlamento de Israel (Knesset), na semana passada. Criticou o muro dentro de Israel que separa israelenses e palestinos -- “não é uma coisa nobre para o século 21″ -- e afirmou que, ao contrário de muitos políticos que preferem manter silêncio a respeito do problema, vai continuar batalhando pela paz.
Eu não estou disposto a ficar silencioso. Se amanhã não der certo, eu encostarei a cabeça no travesseiro e direi: ‘eu não consegui, mas também não me omiti. Eu trabalhei para construir a paz no Oriente Médio’.
Lula voltou a defender a necessidade de se dialogar com todos os envolvidos no conflito no Oriente Médio, mesmo com quem diz que não quer a paz. É preciso chamar representantes do Hamas, Hezbollah, Síria e Irã para discutir o assunto, disse o presidente brasileiro, porque sem diálogo, não haverá acordo de paz.
O presidente Lula voltou a defender sua viagem ao Irã e a participação do país persa na construção da paz na região. “Vou lá porque não quero que se repita no Irã o erro que aconteceu no Iraque”, afirmou, acrescentando que dirá também ao presidente Mahmoud Ahmadinejad que apóia o uso da energia nuclear para a produção de eletricidade e remédios, mas nunca para o desenvolvimento de armas nucleares. O importante agora é não acirrar os ânimos e cometer os mesmos erros do passado.
Não podemos tratar o Irã como se tratou o Iraque. (…) Não se pode ficar riscando palito fósforo onde tem pólvora.
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