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Terça-feira, 29 de março de 2011 às 15:34

O governo vai entrar firme na tentativa de antecipar crises em obras federais

Ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral ) se reúne com sindicalistas, empresários da construcao civil e representantes do governo no Palácio do Planato. Foto : Rafael Alencar/PR

O governo enviou um duro recado às centrais sindicais e às entidades que representam os empresários da construção no país. Durante reunião, nesta terça-feira (29/3), no Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, assegurou que “o governo vai entrar firme na tentativa de antecipar crises”. Carvalho se referiu aos conflitos ocorridos nas últimas semanas nos canteiros de algumas obras no território nacional, especificamente nas usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira. E como forma preventiva, segundo Carvalho, uma equipe do governo já avalia a situação nas imediações do município de Altamira, onde será construída a Usina Hidrelétrica Belo Monte.

“Em cada obra importante haverá uma representação. O governo é provocador dessa mesa tripartite”, explicou Carvalho.

Na prática, o governo vai ter em cada grande obra federal uma comissão com representantes dos trabalhadores, empresas e governo para equacionar problemas futuros. O ministro explicou que a situação, neste momento, é bem diferente pois o cenário atual indica a expansão do emprego e o aumento da renda das famílias. Por isso, Carvalho classificou a situação como “um bom problema”.

O ministro assegurou que existe entendimento entre as duas maios centrais sindicais – CUT e Força Sindical – com as empreiteiras Odebreht e Camargo Corrêa no sentido de equacionar a situação nos canteiros de obras das usinas de Jirau e Santo Antônio. Ao mesmo tempo, segundo explicou, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), no estado de Pernambuco, decidiu sobre o impasse no porto de Suape e a mobilização dos trabalhadores deve acabar dentro das próximas horas.

Após a reunião, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, buscou amenizar o impacto da mobilização dos trabalhadores. Segundo ele, de 2,7 milhões de trabalhadores no setor da indústria da construção, apenas 80 mil operários pararam, mas as empresas já estavam mobilizadas na tentativa de acordos com os sindicatos.

Paulo Simão assegurou ter sido importante estabelecer o canal de negociação. A mesma opinião foi emitida pelos presidentes da CUT, Artur Henrique, e Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, sobre a participação do governo na construção do acordo que envolva empresas e operários.

Mesa permanente – A reunião resultou na abertura de três frentes de trabalho: na primeira, os líderes sindicais saíram com o compromisso de se reunirem com os representantes patronais das empresas executoras das obras a fim de detectarem os principais e reais problemas; na segunda frente, o governo federal ficou incumbido de acompanhar e monitorar tais problemas e eventual acordo entre os sindicatos e empresários; como última frente de atuação, ficou instituída mesa permanente sob coordenação da Secretaria-Geral, com representantes de outros ministérios como Trabalho e Planejamento, com o objetivo de negociar – juntamente com empresários e sindicalistas – solução definitiva para as questões apontadas.

Durante o encontro, as centrais sindicais questionaram as obras do PAC, afirmando que há problemas trabalhistas em todas as maiores obras do país. Entretanto, o coordenador do PAC no Ministério do Planejamento, Maurício Muniz, explicou que os problemas levantados não têm relação direta com o programa.

“Há entre 12 e 14 mil obras do PAC no país e todas elas seguem a mesma legislação trabalhista de qualquer outra obra. Não há que se atrelar os problemas de Jirau e Santo Antônio com o Programa de Aceleração do Crescimento”, frisou.

De qualquer forma, completou Muniz, o governo – por meio da mesa permanente – acompanhará de perto as questões levantadas pelas centrais sindicais. A próxima reunião está marcada para a próxima quinta-feira (24/3), às 10h, no Palácio do Planalto.

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