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Segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 às 17:04

Não há fragilidade nas estatísticas dos casos de microcefalia, diz Marcelo Castro

Marcelo Castro - balanço do dia de mobilização contra aedes

Para Castro não há dúvida sobre correlação da contaminação pelo zika e casos de microcefalia, segundo pesquisas. “Porém, o que ainda não está 100% claro é se há algum fator contribuinte, que ao lado do vírus zika, desencadeie a má-formação fetal”, alertou. Foto: Elza Fiuza/ABr

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, esclareceu nesta segunda-feira (15) que não há inconsistências nas estatísticas divulgadas pelo governo sobre casos de microcefalia. Durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Castro explicou que a epidemia de zika identificada no segundo semestre de 2015, e o consequente aumento nos casos de má-formação fetal, levaram a uma alteração no protocolo de notificação da microcefalia.

“Não há nenhuma fragilidade. A microcefalia não era de notificação compulsória, [porque] nós não tínhamos epidemia de microcefalia no Brasil. Nós tínhamos, em média, 150 casos notificados por ano”, afirmou o ministro, que lembrou que o primeiro caso de zika no País foi registrado em abril de 2015 –até então o vírus não havia sido identificado nas Américas. “Então surgiu uma epidemia de microcefalia seis, sete, oito, nove meses após a chegada do vírus aqui. Isso é o que nós temos de informação com toda a precisão”, acrescentou.

Marcelo Castro esclareceu também aos jornalistas que não há dúvida sobre a correlação da contaminação pelo vírus zika com os casos de microcefalia e citou resultado de pesquisas de cientistas e pesquisadores brasileiros divulgado em novembro confirmando que a epidemia de microcefalia é consequência direta da epidemia de vírus zika.

Ele apontou também que os estados do País que tiveram maior ocorrência da contaminação de vírus zika, meses depois tiveram também epidemia de microcefalia, numa relação direta. “Além disso, [há] o fato biológico estabelecido, concreto, de vários casos que aconteceram no Brasil e fora do Brasil. Quando fazem a pesquisa na criança encontram o vírus no cérebro da criança com microcefalia. Isso é uma coisa fora de questão, isso está estabelecido: a causalidade entre a microcefalia e o vírus zika”.

Fatores contribuintes
Segundo o ministro da Saúde, porém, o que ainda não está 100% claro é se há algum fator contribuinte, que ao lado do vírus zika, desencadeie a má-formação fetal.

“Como é a primeira vez que está ocorrendo na história da humanidade, nenhum cientista de nenhuma parte do mundo tem ainda a resposta para isso”. 

Parceria com os Estados Unidos
O ministro Marcelo Castro lembrou que ainda este mês será realizado no Brasil um encontro entre representantes da Secretaria de Saúde americana, técnicos do National Institutes of Health (NIH), do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), técnicos do Ministério da Saúde, do Instituto Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan, entre outros especialistas convidados.

A parceria entre os dois países é resultado das tratativas entre a presidenta Dilma e o presidente dos EUA, Barack Obama, para o enfrentamento da microcefalia. “Já tem ação em curso, nós temos um documento assinado entre o Ministério da Saúde e a Universidade do Texas, para o desenvolvimento de uma vacina. Hoje nós temos aqui no Brasil, 15 pesquisadores do CDC, que junto com nossos técnicos do Ministério da Saúde, estão na Paraíba para fazer exatamente essa correlação entre o vírus zika e a microcefalia se há algum outro fator estabelecido”, acrescentou.

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