Domingo, 14 de março de 2010 às 14:59
Não existe solução mágica para conflito entre israelenses e palestinos

A primeira-dama Marisa Letícia recebe, ao lado do presidente Lula, flores em sua chegada ao hotel King David, em Jerusalém. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Não há solução mágica para o conflito entre israelenses e palestinos, e o governo brasileiro não tem a ingenuidade de pensar que vai resolvê-lo de uma hora para outra, afirmou neste domingo (14/3) Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, no saguão do hotel King David, em Jerusalém, logo após a chegada do presidente Lula a Israel. “Nós viemos contribuir”, afirmou.
O presidente Lula desembarcou no final da tarde deste domingo (horário local, 5 horas a mais em relação a Brasília) a Israel para cumprir agenda de dois dias. Do aeroporto de Tel Aviv, seguiu para Jerusalém, onde ficará hospedado até terça-feira (16/3), quando irá para Belém e depois Ramala, ambas cidades da Palestina. Na quarta-feira (17/3), irá para Amã, na Jordânia, retornando ao Brasil no dia seguinte (18/3). Confira aqui mais detalhes sobre a visita do presidente Lula ao Oriente Médio.
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Marco Aurélio Garcia considerou que o comentário da Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que o anúncio da construção de 1.600 casas para colonos judeus no lado oriental de Jerusalém foi um “insulto”, pode ajudar na reflexão geral das partes, não minar as conversações em curso pela paz na região. “Se os Estados Unidos, que tem se revelado um aliado histórico de Israel, estão com uma posição tão cética, dura, isso provavelmente provocará uma reflexão”, afirmou.
A posição brasileira de querer ajudar nas conversas de paz se deve à política externa universalista do País, explicou Marco Aurélio Garcia:
O problema da Palestina não é um problema que só interessa a palestinos e israelenses, é um problema que tem hoje altíssimo potencial desestabilizador do ponto de vista global. Ele incide sobre uma série de situações em várias partes do mundo, que não estariam com a gravidade e a tensão que estão hoje se esse problema aqui estivesse resolvido. Será que os problemas de nascimento do fundamentalismo, de ameaça terrorista em outras partes do mundo, existiriam se a questão palestina estivesse resolvida há mais tempo? Não estou dizendo com isso que esses problemas vão desaparecer simplesmente a partir do momento que houver um acordo de paz, mas sem dúvida nenhuma estaríamos suprimindo um fator de desestabilização. Essa é a questão fundamental. É por isso que o Brasil está metido nisso, porque o Brasil tem uma política externa universalista, então qualquer questão que desestabilize a ordem global nos interessa.
Marco Aurélio não quis adiantar o que o presidente Lula vai falar aos líderes israelense – “seria uma indelicadeza” – e reafirmou que o Brasil está disposto a ajudar. “Estamos procurando dar uma contribuição. É pequena? É, é pequena, mas é a contribuição que nós achamos que devemos dar.” Mas o assessor revelou a mensagem que o governo brasileiro pretende passar aos palestinos:
A mensagem que o presidente dará ao lado palestino é que a primeira coisa que o lado palestino tem que fazer é unir-se. Essa é a questão fundamental. Eu sei que não é fácil, mas pior será se o lado palestino não tiver uma posição coesa, uma posição homogênea. Se não tiver essa posição, qualquer entendimento com Israel ou com quem quer que seja estará fadado ao fracasso.











