Sexta-feira, 24 de julho de 2009 às 16:49
Mercosul: união de sucesso contra a crise e as desigualdades

“A redução das assimetrias é uma opção estratégica de nossos governos. Merece atenção contínua. Tenho a convicção de que nenhum projeto de integração será exitoso se os benefícios do desenvolvimento não forem distribuídos de forma solidária e equilibrada. Nenhum de nossos países pode desenvolver-se separado de seus vizinhos. Não podem haver ilhas de prosperidade cercadas de mares de desigualdades.”
A importância da integração latinoamericana no combate à crise mundial e às desigualdades sociais, e o sucesso do comércio Sul-Sul como medida anticíclica, foram as temáticas principais do discurso de Lula na abertura da 37ª Cúpula de chefes de Estado do Mercosul. O presidente disse que o custo econômico e social da crise ainda não está claro, mas que algumas lições são evidentes.
“A mão invisível do mercado não foi capaz de oferecer soluções economicamente responsáveis e socialmente justas. Foi a mão visível do Estado que começou a retirar a economia mundial da beira do abismo.
Na América Latina, felizmente, nossos países vinham operando na contramão do pensamento único conservador. Resistimos à crise porque fizemos o contrário do que muitos nos recomendavam.”

O presidente também falou do Focem – Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul – cujos fundos serão usados para a construção da Biblioteca da Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Além disso, anunciou que o Brasil irá aumentar voluntariamente suas contribuições para o fundo. Falou também que apesar da crise, o país não terá que recorrer ao FMI como antes. Pelo contrário, o Brasil empresta recursos ao Fundo, para que sejam repassados a outros países, sem os condicionantes do passado. Enquanto em vários lugares há problemas de crédito, no Mercosul estão sendo criadas novas linhas de crédito e o Banco do Sul em breve entrará em atividade.
Por fim, o presidente condenou mais uma vez, com veemência, o golpe de estado em Honduras: “Trata-se de retrocesso que nossa região não pode tolerar, e não podemos transigir. Repudiamos veementemente a quebra da ordem democrática em Honduras e apoiamos os esforços da comunidade internacional para que o presidente Zelaya possa retornar a Tegucigalpa no mais breve prazo possível e exercer as funções que o voto popular lhe conferiu.”

Segundo informações da comitiva que acompanha o presidente, Lula teve uma audiencia com Cristina Kirchner e depois vai se encontrar com Evo Morales da Bolívia. Depois de participar da segunda parte da reunião do Mercosul, Lula vai a um jantar oferecido pelo presidente Lugo, do Paraguai, o que dará início às negociações bilaterais entre os dois países.
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