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Terça-feira, 2 de dezembro de 2014 às 12:30

Mais Médicos: melhoria e humanização do atendimento na atenção básica do SUS

O médico cubano Luiz Miguel Gonzales, 50 anos, atende no Posto de Saúde de Arapoanga, bairro de Planaltina (DF), desde março deste ano, quando veio ao País pelo programa Mais Médicos. Depois do trabalho na Venezuela e nas selvas da Guatemala, não perdeu a oportunidade de trabalhar no Brasil. Apesar de estar longe dos familiares, com os quais fala pela internet e visita quando pode, os três anos que passará trabalhando no hemisfério sul são encarados como um grande desafio, e também, com espírito solidário.

Profissional cubano do Mais Médicos, Luiz Miguel Gonzales, em atendimento domiciliar em Arapoanga, bairro de Planaltina (DF). Foto: Renan Carvalhais/Gabinete Digital - PR.

Profissional cubano do Mais Médicos, Luiz Miguel Gonzales, em atendimento domiciliar em Arapoanga, bairro de Planaltina (DF). Foto: Renan Carvalhais/Gabinete Digital – PR.

Gonzales faz parte dos mais de 14 mil profissionais do programa Mais Médicos, que integram a medicina de atenção básica no País. Eles estão vinculados principalmente às Unidades Básicas de Saúde, onde atendem a população com consultas marcadas. Esses médicos também fazem parte de equipes de Saúde da Família. Formadas por médicos, enfermeiros, técnicos e agentes de saúde, essas equipes fazem visitas aos domicílios de pacientes mais necessitados e que precisam de atenção constante.

Para Luiz, o Mais Médicos faz parte de uma mudança estrutural necessária ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, o Brasil tem grande potencial para ter uma atenção básica de qualidade. Ele endossa o que indicadores apontam: 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na atenção primária, no atendimento básico.

“A medicina primária [atenção básica] é a mãe das medicinas, porque com um bom trabalho na medicina primária, as instituições secundárias ficam mais descongestionadas. O maior trabalho da primária é para evitar as doenças, as complicações”, explica.

No posto de saúde, Luiz atende cerca de 50 pessoas por semana e, nas casas, cerca de duas famílias por semana. Para o cubano, que têm como uma das especialidades a medicina comunitária, as visitas são cruciais para a manutenção da saúde da população. São nestes momentos que o médico pode ter uma visão geral da saúde do paciente.

“Para evitar doenças tem que conhecer, esse é o papel principal da medicina primária. (…) É importante a relação médico-paciente. Onde o médico na consulta deixa que o paciente fale a vontade tudo o que quer. Isso faz com que o médico enriqueça a possibilidade de um bom diagnóstico”, afirma o médico.

Luiz conta que já se sente parte do cotidiano dessas pessoas. Ele diz que sempre são bem recebidos quando chegam às casas das comunidades: “Sempre que fazemos uma visita domiciliar recebemos carinho dos pacientes e sentimos a felicidade que eles têm. Quer que almocemos lá, quer que comamos algo”.

O cubano considera os médicos brasileiros bons profissionais e diz gostar da população, com quem tem trato próximo. Para Luiz, a melhora na saúde pública precisa contar com atendimento humanizado e também com o empenho da população em querer mudar seus próprios quadros de saúde. Na última visita à casa de dona Maria Mourato de Lima, Luiz e o agente de saúde, Massala Mulinari, foram recebidos com bolo, pão de queijo e suco. Era a segunda vez que o médico visitava a casa da senhora de 72 anos e seu marido, Benedito Firmino de Lima. Na primeira, o médico achou vários medicamentos vencidos na casa e percebeu que os torresmos na panela contribuíam para os problemas cardíacos do casal. Desde então, Dona Maria começou a caminhar diariamente e Benedito mudou a dieta.

Acolhimento
Gonzales diz que o jeito do brasileiro, que conhecia pelas novelas importadas, se revelou para muito parecido com o do cubano. Segundo o médico, a alegria da população é tão contagiante como a da ilha caribenha. Ele também relata que depois de tantos meses no Brasil, o idioma não é mais uma barreira, as dificuldades de comunicação agora são curiosidades, como algumas expressões. E justifica que período de acolhimento obrigatório antes de assumirem nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) contribuiu para isso. Neste período, os médicos intercambistas passam quatro semanas tendo aulas sobre o SUS, língua portuguesa dentre outros. Só são considerados aptos aqueles que passam nas avaliações ao final do curso.

“O acolhimento com a equipe foi muito bom, depois o acolhimento da população, eles começou com dúvida da barreira do idioma. Mas eu me preparei, fiz de tudo possível para me preparar em português, para ficar melhor e para fazer com que o paciente fique melhor comigo”.

Para Luiz, as pequenas dificuldades na comunicação são problemas menores frente aos grandes benefícios que um atendimento comunitário propicia.

“A medicina primária tem a vantagem que nós podemos ver o paciente mais do ponto de vista social. Atendemos o paciente aqui na consulta, conversamos com eles, conversamos de suas doenças, de seus problemas, mas, sobretudo, quando fazemos a relação do que falamos na consulta e quando vamos as suas casas e olhamos então seu entorno. Ou seja, as condições que vivem, como eles moram, a situação econômica, em alguns casos, situações familiares que em algumas ocasiões acontecem também com transtornos da família e acontecem com transtornos da pessoa. Muitas vezes encontramos outros membros da família que têm doenças também”, avalia.

Foi o caso da última visita à dona Maria. Seu filho estava acamado e aproveitou para ser atendido por Luiz, que recomendou ida ao posto de saúde para receber soro. O médico acredita que ainda é preciso trabalhar a estrutura e a organização da saúde brasileira. Mas com a ajuda e experiências trazidas por médicos de outros países, é possível desenvolver outras ideias e projetos. Para Luiz, é preciso estabelecer salas para palestras educativas à comunidade, com informações sobre doenças, exercícios, destinação de lixo, higiene etc.

Meta atingida
O Programa Mais Médicos atendeu 100% da demanda apontada pelas prefeituras, disponibilizando 14.462 profissionais para 3.785 municípios e para os 34 distritos indígenas, expandindo o atendimento em saúde para 50 milhões de brasileiros.

A interiorização da formação médica, um dos eixos do programa, também está em curso e permitirá formar profissionais onde o SUS mais precisa, além de ficar estes profissionais. Está prevista a criação, até 2017, de 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência médica, com o foco na valorização da Atenção Básica e outras áreas prioritárias para o SUS. Recentemente, Ministério da Saúde e MEC anunciaram 39 municípios que receberam cursos de medicina.

Satisfação do usuário
Pesquisa inédita da Universidade Federal de Minas Gerais encomendada pelo Ministério da Saúde mostrou que 86% dos entrevistados afirmaram que qualidade do atendimento de saúde melhorou muito após chegada dos profissionais do Mais Médicos. O estudo também revelou que, para 96% das pessoas, um dos pontos fortes do programa é a competência dos médicos.

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