Sexta-feira, 7 de maio de 2010 às 14:47
Homenagem a João Cândido Felisberto, o mestre-sala dos mares
Durante a cerimônia de lançamento no Porto de Suape (PE) do primeiro navio petroleiro do Brasil em 13 anos, o ministro da Igualdade Racial, Eloi Ferreira, explicou a homenagem feita ao marinheiro João Cândido, que dá nome à embarcação. Tendo ao lado o filho do marinheiro que liderou a Revolta da Chibata em 1910, contra os maus tratos impostos aos marinheiros brasileiros, Eloi Ferreira agradeceu ao presidente Lula por ter aceito o desafio de batizar o navio com o nome de João Cândido, uma sugestão do movimento negro brasileiro. “É uma figura que tem uma importância histórica para todos os trabalhadores brasileiros”, afirmou o ministro.
Conheça um pouco mais da história de João Cândido e da Revolta da Chibata neste clipe especial, que traz a música Mestre Sala dos Mares, de João Bosco. A letra que aparece no vídeo é a versão oficial da música, que foi modificada por exigência da censura à época de seu lançamento.
Confira também Os Reclamantes, uma cançoneta de Eduardo das Neves composta em 1910, que conta toda a história da Revolta da Chibata: o pânico nas ruas, a correria, o medo da ameaça de bombardeio do Rio de Janeiro pelos revoltosos. Ainda assim a música revela a simpatia do povo carioca pelos “reclamantes”, apresentados como os “chefes da Armada”.
Letra de Os Reclamantes:
Neste Rio de Janeiro
Fêz-se grande confusão
Soldado marinheiro
Fez uma revolução.
Eram os chefes reclamantes
Da maruja amotinada
Por eles o grito incessante
Era a Marinha revoltada
Houve grande correria
Todo o povo no receio
Por toda parte dizia
Vai haver um bombardeioDurante aqueles três dias
De …………. e amargor
Viu-se tudo em correria
Só dominava o terror
O comércio fecha a porta
Quando vê o caso sério
Ficando a cidade morta
Parecia um cemitério
E soldado e armamento
Nosso Rio de bloqueio
Só à espera do momento
Do falado bombardeioCão com sorte não ladra
Do desgosto não espanta
Tive que aturar a sogra
Num ataque de “demência”
No chão atirou um cinzeiro
A tomar agudos ais
Vou morrer no bombardeio
Do ……. Minas Gerais
Com os raios, ouvi da sogra
Com essa revolução
Imaginem uma sogra
Com receio de canhãoJoão Cândido de fama
Marujo de opinião
Mandou um radiograma
Para o chefe da Nação
E o nosso presidente
Ganhou logo simpatia
Um decreto baixa urgente
Concedendo anistia
Tudo volta a seus lugares
Já ninguém mais tem receio
Muito embora …………..
Já não haja bombardeioTudo foi e acabou-se
Não há nada mais a temer
A revolta já findou-se
Vamos todos …………
Viva o povo, viva a Pátria
Do auriverde pendão
Viva os chefes de Armada
Viva o chefe da Nação












