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Quarta-feira, 26 de agosto de 2009 às 22:31

Inclusão digital, prioridade que beneficia a educação e a economia

Presidente Lula discursa na abertura do II Congresso sobre Software Livre e Governo Eletrônico, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula discursa na abertura do II Congresso sobre Software Livre e Governo Eletrônico, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Resultados importantes como a redução da evasão escolar, aumento do interesse dos estudantes pelos estudos e o bom desempenho de micro e pequenas empresas nacionais no setor de software, não deixam dúvidas: a inclusão digital tem que ser uma das prioridades do governo federal, e não apenas algo que se faz quando sobra algum dinheiro em caixa. Segundo o presidente Lula, que participou nesta terça-feira da abertura do II Congresso sobre Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi) 2009, em Brasília, o apoio dado ao software livre no Brasil reconhece e estimula a criatividade e qualidade da produção nacional do setor, que por sua vez ajuda a trazer bons resultados na Educação e na economia do país.

Lula lembrou ainda que o Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo) é o maior trabalho de distribuição e capacitação profissional em software livre do mundo, já tendo distribuído quase 400 mil computadores em quatro anos para escolas públicas da educação fundamental. Até 2010, o programa entregará 800 mil computadores a 70 mil escolas de todo o país, atendendo a 93% dos alunos da rede pública.

Em seu discurso o presidente também elogiou “o espírito inovador e solidário” trazido pelas comunidades de desenvolvimento de software livre que começaram a colaborar com o governo, e falou de alguns dos belos resultados alcançados, como o Portal do Software Público e o aplicativo livre Demoiselle, plataforma que padroniza processos e códigos de sistemas lançada oficialmente pelo Serpro durante o Consegi 2009. O nome do aplicativo é uma homenagem a Santos Dumont, aviador e inventor brasileiro que disponibilizou ao público, gratuitamente, toda a tecnologia usada para fazer o avião Demoiselle levantar vôo.

O presidente do Serpro, Marcos Mazoni, presenteou Lula com uma miniatura do avião Demoiselle -- outros exemplares serão entregues como prêmio aos participantes de oficinas, palestras e painéis realizados ao longo do evento. Lula homenageou Santos Dumont em seu discurso e lembrou o aviador brasileiro fez questão de nunca patentear seus inventos, para que pudessem ser usados, modificados e aprimorados por outras pessoas. E esse é o espírito e essência do software livre, que o presidente fez questão de elogiar várias vezes em sua fala. Lula não deixou também de lembrar que a adoção de softwares livres pelo governo trouxe não apenas uma grande economia -- mais de R$ 370 milhões desde o início do governo -, como também está colaborando para que o Brasil se torne em “um paradigma mundial na produção de software livre”.

Durante o evento, representantes da Marinha e do Exército também assinaram termos de adesão ao Protocolo de Brasília, que prevê a adoção de um único padrão livre de documentação, ODT (Open Document Format, ou Formato Aberto de Documento).

Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, afirmou mais cedo em seu discurso que para se falar de governo eletrônico no Brasil é preciso falar em inclusão digital, para que uma parcela cada vez maior da sociedade brasileira possa ter acesso aos serviços do governo.

Já o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, lembrou que o Brasil tem hoje quase 100 mil estudantes de graduação em áreas relacionadas a tecnologia da informação, e 20 mil em pós-graduação (mestrados e doutorados) e que isso em boa parte se deve ao incentivo do governo ao setor. Com isso, lembrou Rezende, as empresas brasileiras de tecnologia de informação vêm conquistando cada vez mais mercado, no Brasil e no exterior. Internamente, o mercado brasileiro atingiu no ano passado a marca de US$ 30 bilhões -- a Índia, considerada uma potência nesse setor, tem um mercado interno de US$ 20 bilhões, segundo o ministro.

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