Quinta-feira, 24 de dezembro de 2009 às 15:36
“Homem do Ano” do jornal “Le Monde”
O jornal francês Le Monde elegeu o presidente Lula o “Homem do Ano 2009″. Tão logo a notícia ganhou o mundo, sua reprodução se deu nas páginas dos principais jornais, colunas sociais e espalhou-se pela internet – a rede mundial de computadores.
A seguir, trechos de uma das matérias publicadas na internet sobre o prêmio:
“Aos olhos de todos, [Lula] encarna o renascimento [...] de um gigante”, diz o jornal.
Na edição, o “Le Monde” diz ainda que Lula criou uma nação democrática e dinâmica, que combate a pobreza enquanto promove o crescimento econômico.
“Participante do grupo dos países emergentes, mas também do mundo em desenvolvimento com o qual se sente solidário”, Lula “colocou firmemente seu país em uma dinâmica de desenvolvimento”.
O prêmio, explica o jornal, é resultado também da bem sucedida campanha de Lula para transformar o Brasil em ator internacional. “Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo o interessa e lhe diz respeito”, diz o artigo, assinado por Jean Pierre Langellier, correspondente do jornal no Rio de Janeiro.
O jornal destaca ainda que Lula encerrará seu mandato em 2010 sem pleitear por um terceiro mandato –tendência nas vizinhas Venezuela, Colômbia e Bolívia. “Seguiu sendo um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso com os equilíbrios naturais”, diz a publicação.
Lembrando os tempos de líder sindicalista, o jornal brinca com o então discurso de Lula contra o FMI (Fundo Monetário Internacional). “Hoje já não é o FMI que ajuda o Brasil e sim o inverso”.
O prêmio crava o bom momento vivido por Lula no exterior. No começo do mês, o jornal espanhol “El País” também concedeu a Lula o prêmio de “personagem do ano” e a revista britânica “The Economist” dedicou um número especial ao Brasil que trazia na capa o Cristo Redentor como um foguete, rumo ao espaço.
O editorial do Le Monde:
Pela primeira vez na sua história, o Le Monde decidiu nomear a pessoa do ano. “Sua” personalidade do ano. O exercício pode parecer arriscado ou banal. Quem escolher? Com que critérios? Em nome de que valores? Como se diferenciar de grandes e prestigiados veículos estrangeiros, como a revista “Time”, que já está muito à frente nesse caminho, elegendo a sua “Person of the year”?
Assim, nossas conversas lançaram o foco sobre o que nos une sob a bandeira do “Monde”. Uma vez que, há sessenta e cinco anos, o título do nosso jornal é um convite a um olhar global, optamos por uma pessoa cujos trabalho e reputação adquiriram uma dimensão internacional.
Procuramos escapar de escolhas forçadas que poderiam nos apontar para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (mas ele foi mais propriamente o homem de 2008 que o de 2009), também descartamos as personalidades “negativas”, embora a sua ação tenha sido fundamental na nova configuração global: Vladimir Putin e a sua tentativa de reconstituir o império soviético, Mahmoud Ahmadinejad, de quem cada palavra e cada ação é um desafio para o Ocidente.
Desde a sua criação, o Le Monde, marcado pela mente analítica de seu fundador, Hubert Beuve-Méry, pretende ser um jornal de (re)construção, senão de esperança; à sua maneira, veicula uma parte do positivismo de Auguste Comte, adota a causa dos homens de boa vontade. Portanto, para esta primeira eleição, que aliás pretendemos renovar a cada ano, foi com a razão e o coração que escolhemos o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido sob o simples nome de Lula.
Sentimos que pela sua carreira singular de antigo sindicalista, pelo seu sucesso na condução de um país tão complexo como o Brasil, pela sua preocupação com o desenvolvimento econômico, a luta contra as desigualdades e a defesa do ambiente, Lula bem merece… o mundo.










