Quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 às 16:25
Haiti precisa do perdão de sua dívida para reconstruir o país
O presidente Lula conclamou os países credores do Haiti a perdoarem a dívida que chega a US$ 1,3 bilhão. Essa seria -- segundo Lula -- uma forma de permitir que o governo haitiano pegue o dinheiro que seria para quitar a dívida e aplicasse na reconstrução do país. Lula defendeu a medida num pronunciamento feito nesta quinta-feira (25/2) em Porto Príncipe após a assinatura de três atos -- construção de cisternas, produção de alimentos e reforço da rede pública de ensino -- ao lado do presidente do Haiti, René Prevál.
Lula lembrou que no início da semana, durante as reuniões de cúpulas realizadas em Cancún, no México, percebeu a disposição dos países em ajudar o povo haitiano. Na reunião da Unasul foi discutida a doação da mais US$ 100 milhões para o governo local. Lula frisou por diversos momentos que a ajuda ao Haiti deve ser feita seguindo as necessidades das autoridades locais.

Vendedor de sapato numa rua de Porto Príncipe, capital do Haiti. Presidente Lula defende o perdão da dívida externa haitiana para que o país possa investir na sua reconstrução. Foto: Roberto Cordeiro/Blog do Planalto
O presidente brasileiro sobrevoou a capital haitiana acompanhado pelo presidente Prevál. Segundo Lula, uma das prioridades é a remoção dos entulhos em vilas e o erguimento de 50 a 60 tendas por localidade de forma a agrupar as famílias. Préval explicou, em seguida, que pretende importar tratores e máquinas da República Dominicana e dos Estados Unidos para o mutirão. Segundo o presidente haitiano, o maquinário da capital deve ser deslocado para o interior do país.
“Se o Brasil já tem feito uma política muito forte, após ver com os meus próprios olhos o que acontece com o Haiti, iremos fazer muito mais. As coisas são muito mais sérias do que a gente imaginava. Nesse momento de dor e de desespero é que a gente precisa levantar a cabeça e acreditar que o Haiti sairá mais forte. Um povo que já fez a luta. O primeiro país a conquistar sua independência não vai se curvar diante desse revés. Os homens e mulheres do Haiti saberão com muito mais força construir um país mais justo para o próprio povo”, afirmou.
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