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Terça-feira, 28 de dezembro de 2010 às 9:00

Governo Dilma, política e ‘caminhão de abacaxis’

O presidente respondeQuando era garoto e vivia em Santos, nos anos 50, Luiz Inácio da Silva tinha o sonho de ser motorista de caminhão. “Acabou dirigindo o Brasil, um enorme caminhão carregado de abacaxis que ele vem descascando com jeito e felicidade. É isso mesmo, presidente?” perguntou o professor Jacinto Guerra, de Brasília (DF), em uma das questões publicadas na coluna O Presidente Responde desta terça-feira (27/12). O presidente Lula gostou da comparação, “porque o abacaxi é uma das frutas mais saborosas que eu conheço”. O Brasil, disse Lula, realmente é um caminhão carregado de coisas muito boas, positivas, “cercadas de outras negativas”.

“Felizmente, nós estamos conseguindo iniciar o processo de retirada das cascas e dos espinhos, ou seja, de começar a eliminar as desigualdades sociais e regionais, de acabar com o complexo de vira-latas, de retirar da situação de pobreza dezenas de milhões de pessoas. Estamos impulsionando o que é bom, que é o crescimento econômico e a geração de empregos, e eliminando o que é ruim, que é a exclusão de milhões de pessoas dos benefícios do progresso. E meu governo conseguiu avançar porque contou com o apoio, paciência e aprovação do povo brasileiro. E contei com as críticas construtivas também. Isso foi muito importante. Por isso, quero agradecer a todo brasileiro e, em especial, a leitores como você, Jacinto, que me acompanharam neste espaço semanalmente.”

O presidente lembrou que respondeu a 234 perguntas feitas por leitores de jornais de todo o País e publicadas em 78 colunas O Presidente Responde. “Foram muitos os abacaxis e só posso agradecer a cada um de vocês”, disse ele.

A pergunta do administrador Rafael Soares, de Cuiabá (MT) foi sobre a expectativa que muitos brasileiros têm em relação ao governo da presidente eleita Dilma Rousseff, que toma posse no próximo sábado (1/1). “O senhor disse que o Brasil iria se surpreender com o governo da Dilma Rousseff. Em que sentido serão as surpresas?”, quis saber o leitor. Lula respondeu lembrando que Dilma tem grande capacidade de comandar, produzir, fazer as coisas andarem e acontecerem.

O presidente lembrou ainda que a presidente eleita já demonstrou sua capacidade nos últimos oito anos, quando foi ministra de Minas e Energia e também da Casa Civil, e também durante a campanha eleitoral, em que se saiu vitoriosa:

“Era um campo absolutamente novo, pelo qual ela nunca tinha passado e, no entanto, superou concorrentes de grande experiência, que tinham se dedicado a fazer política durante toda a vida. Ela tem uma grande capacidade de aprender e de se adaptar a situações novas e extraordinárias. Sua fibra é impressionante. Ainda jovem, enquanto muita gente se recolhia ou se dobrava, ela teve a coragem de colocar a vida em risco e enfrentar a ditadura e as torturas. Mais recentemente enfrentou e venceu um inimigo ainda mais perigoso e traiçoeiro, o câncer. Nós temos, felizmente, à frente dos destinos do nosso país uma pessoa preparada para vencer os mais diferentes desafios. Inclusive o principal, que é fazer mais e melhor do que foi feito nestes últimos oito anos.”

Já o autônomo Valdivino de Almeida, de Goiânia (GO), perguntou se Lula deixará de fazer política ao deixar a Presidência da República. “Não, essa hipótese de abandonar a polítiac não existe”, afirmou o presidente. “Deixar de fazer política, para mim, seria o mesmo que deixar de me alimentar ou respirar.” Se o fizesse, afirmou, seria como “jogar pela janela” a experiência acumulada de um governo de sucesso. O presidente afirmou que pretende levar o caso brasileiro para países pobres da América Latina e África, por ser um modelo que combina crescimento econômico com políticas de transferência de renda.

“Sinto-me com bastante energia para continuar atuando no sentido de contribuir para a construção de nações prósperas, com povos que vivam em liberdade e com justiça social. Pretendo também atuar dentro do meu partido e em aliança com vários outros para viabilizar as reformas Política e Tributária. Essas são questões urgentes e mais afetas aos partidos e ao Congresso do que ao governo federal. Pretendo ainda viajar por esse país, repetindo, de certa maneira, as caravanas da cidadania realizadas entre 1991 e 1994, quando percorri 91 mil quilômetros de Brasil. Quero verificar o que nós construímos nestes oito anos de mandato, divulgar o que é pouco divulgado, mostrar esse novo Brasil pujante, de gente que passou a se alimentar, que foi integrada à cidadania, esse Brasil que acredita no amanhã.”

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