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Quinta-feira, 10 de março de 2016 às 16:07

Fiocruz desenvolve método que impede Aedes aegypti de transmitir vírus

Armadilha para mosquitos

Biólogo Gabriel Sylvestre mostra Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO), recipiente onde há ovos de Aedes aegypti com Wolbachia. Até 10 dias após instalação do DLO na casa de voluntários, ovos darão origem a mosquitos adultos contaminados. Foto: Peter Illiciev/Fiocruz

Trazido ao País pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o projeto de pesquisa ‘Eliminar a Dengue: Desafio Brasil’ é parte de uma iniciativa científica internacional pioneira que estuda o uso da bactéria Wolbachia como uma alternativa natural, segura e autossustentável para o controle da dengue.

Quando inserida no mosquito Aedes aegypti, a bactéria é capaz de reduzir a transmissão dos vírus dengue e chikungunya. Recentemente, também foi demonstrado que a Wolbachia pode fazer o mesmo em relação ao vírus zika.

Durante sua visita nesta quinta (10) à Fiocruz (Instituto Bio-Manguinhos), no Rio de Janeiro (RJ), a presidenta Dilma Rousseff acompanhou de perto a atual fase de desenvolvimento do projeto. O projeto faz parte do programa internacional ‘Eliminar a Dengue: Nosso Desafio’, que também realiza estudos na Austrália, Vietnã, Indonésia e Colômbia. No Brasil, os bairros de Tubiacanga, na Ilha do Governador, na cidade do Rio de Janeiro, e de Jurujuba, em Niterói, que participam do projeto.

Há ainda o projeto Unidades Disseminadoras, que funciona como uma armadilha com inseticida. Ao passar por ela, a fêmea do mosquito fica impregnada com a substância e a leva até o criadouro. Assim dissemina a ação inseticida e elimina as larvas até mesmo em focos não identificados pela população e pelos agentes de saúde.

Veja no vídeo abaixo como o método funciona

Mais da metade dos insetos do mundo possuem a bactéria Wolbachia. Depois de milhares de tentativas, a equipe do Programa ‘Eliminar a Dengue’, na Austrália, conseguiu introduzir a Wolbachia dentro do ovo do Aedes aegypti, através de microinjeções e sem o uso de qualquer tipo de modificação genética.

A bactéria é passada naturalmente da mãe para os filhotes. “Este é um diferencial do projeto, pois garante a sua autossustentabilidade sem a necessidade de liberações frequentes de Aedes aegypti com Wolbachia”, afirma pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, coordenador do projeto no Brasil.

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Fêmea do mosquito passa pela armadilha com inseticida e leva substância ao criadouro. Foto: Peter Illiciev/Fiocruz

Na atual etapa do projeto, os pesquisadores avaliam a liberação de mosquitos adultos e a liberação de ovos – neste caso, é usado o Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO), um recipiente plástico com tampa e pequenos furos nas laterais. Os DLOs são hospedados na residência de moradores que colaboram com a iniciativa – os chamados ‘anfitriões’ do projeto.

No interior do recipiente há ovos de Aedes aegypti com Wolbachia, água e alimento para as larvas que vão nascer. Cerca de sete a dez dias depois da instalação do DLO, os ovos darão origem aos mosquitos adultos, que voarão gradativamente para fora do recipiente por meio dos furos.

“Estamos em busca de metodologias de liberação dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia que sejam ao mesmo tempo mais eficazes e mais baratas. Devido à facilidade logística e ao menor custo, o DLO permite que áreas maiores sejam trabalhadas, possibilitando, no futuro, a ampliação da área de atuação do projeto”, explica o coordenador do projeto.

Com informações da Fiocruz

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