Segunda-feira, 10 de maio de 2010 às 18:55
Embrapa na África para vencer a fome, reduzir a pobreza e combater a desigualdade
O presidente Lula destacou hoje (10/5) que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é o principal meio de espraiar a segurança alimentar, porque a empresa foi responsável pela chamada “revolução tecnológica” do segmento. A declaração foi feita durante inauguração da nova unidade no Brasil: a Embrapa Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical.
O presidente falou ainda sobre o potencial produtivo da savana africana, comparado ao cerrado brasileiro. “Parte da savana tem as mesmas características do cerrado, área que, há 40 anos era considerada improdutiva. Bastou carinho com a terra para ela virar a área de maior produção de grãos do País”.
A savana africana cobre 25 países, são 400 milhões de hectares, do Senegal à África do Sul, cujo aproveitamento, hoje, limita-se a 10% do total. Segundo o presidente, a tecnologia brasileira pode semear nessa fronteira um pólo agrícola de potencial superior ao do próprio cerrado brasileiro.
“Mais de 200 milhões de pessoas padecem de fome crônica na África; cerca de 33 milhões de crianças com menos de cinco anos estão sub-alimentadas, segundo dados da ONU. Uma parceria com a Embrapa pode representar, para esses povos, um avanço de décadas no acesso à tecnologia de ponta, capaz de vencer a fome, reduzir a pobreza e combater a desigualdade”, disse.
A nova unidade reforça a atuação da Embrapa no Brasil, tornando mais ágeis as suas ações de cooperação internacional. A equipe de trabalho será enxuta e contará com as competências das outras unidades. Meta do PAC-Embrapa, o novo prédio está localizado ao lado do edifício sede da empresa e recebeu recursos de R$ 9,5 milhões. Esta unidade vai gerar estudos estratégicos para o mercado brasileiro e também funcionará como uma “espécie de chancelaria da agricultura brasileira na cooperação com outros povos e nações em desenvolvimento, em todo o mundo. Temos a obrigação histórica de compartilhar nossos trunfos com povos irmãos, que travam a luta decisiva contra a fome, a pobreza e o subdesenvolvimento no século XXI”, frisou Lula.
“Poucos são os países que podem contar com uma estrutura de segurança alimentar, como tem o Brasil, construído em grande parte pelas conquistas acumuladas por essa instituição. Nossa agricultura deve colher este ano a maior safra de grãos da sua história. São quase 147 milhões de toneladas – número que supera o melhor resultado anterior, registrado em 2007/2008. Nas últimas décadas, a agricultura brasileira registrou o maior ganho médio de produtividade do mundo. Cerca de 3,5 por cento ao ano. Deixamos para trás a China, a Austrália e os EUA nesse quesito. A partir de 2003, a média foi ainda superior, da ordem de 4,5 por cento ao ano”.
O presidente disse que este cenário não é “obra do improviso” e sim, uma conquista do incremento da pesquisa científica.”Portanto, graças à existência de uma empresa pública, que nos deu o maior patrimônio de conhecimento em agricultura tropical de todo o planeta. Graças à pesquisa científica, utilizamos, proporcionalmente, uma área cada vez menor para obter uma produção cada vez maior.” Lula citou ainda o ganho de produtividade de apenas 0,5% ao ano nos próximos anos, inferior ao que tem alcançado na prática, a pecuária brasileira deve liberar área suficiente para dobrar o espaço destinado à agroenergia.
Há menos de 10 anos, o Brasil era o sexto exportador de alimentos do planeta e hoje é o terceiro, tendo passado o Canadá em 2008. Antes, já havia superado a China e a Austrália. “À nossa frente, hoje, encontram-se apenas os EUA e a União Européia – que não é um país mas um conjunto de economias. Mesmo assim, a vantagem sobre o Brasil, em alguns casos, decorre de inaceitáveis expedientes protecionistas e tarifários, como ficou demonstrado no contencioso do algodão, que denunciamos e vencemos na OMC”, ressaltou.
A Embrapa já tem um Escritório Regional na África, na cidade de Acra, capital do país africano.










