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Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 às 14:00

Desenvolvimento de vacina brasileira contra dengue encurta caminho para prevenir zika

Selo ZikaO Instituto Butantan inicia nesta segunda-feira (22), no Hospital das Clínicas, em São Paulo, a última fase de testes da vacina contra a dengue. A vacina, desenvolvida no Brasil, tem potencial para proteger contra os quatro vírus da dengue. Os resultados nas fases de teste anteriores já superaram as expectativas quanto à eficácia e segurança, se mostrando superior a outras vacinas já disponíveis ou em desenvolvimento. A experiência na criação desta vacina pode encurtar o desenvolvimento de uma para combater o vírus zika.

“Com a nossa experiência na vacina contra a dengue, teremos um avanço muito grande , poderemos mais rapidamente trabalharmos numa vacina contra a zika. Nós temos vários tipos de abordagem para a vacina de zika, que já iniciamos aqui, e também estamos trabalhando num soro para neutralizarmos o vírus antes de ele causar o dano na cabeça das crianças”, afirma o diretor do Instituto Butantan, o Prof. Dr. Jorge Kalil.

Por ser produzida com vírus vivos, geneticamente atenuados, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas sem potencial para provocar a doença. Ele destacou ainda a relevância de recursos disponibilizados pelos governos federal e estadual para pesquisa e desenvolvimento da vacina.”Nós não só vamos resolver um problema brasileiro, mas um problema mundial porque tanto dengue como zika são reais ameaças à população mundial”, avalia.

A experiência na criação da vacina da dengue pode encurtar o desenvolvimento de uma para combater o vírus zika.  Foto: Camilla Carvalho/ Instituto Butantan

A experiência na criação da vacina da dengue pode encurtar o desenvolvimento de uma para combater o vírus zika. Foto: Camilla Carvalho/Instituto Butantan

Atende critérios ideais
A terceira e última fase de experimentação da vacina em humanos tem como objetivo comprovar definitivamente a eficácia do imunizante para combater a aquisição da dengue. O coordenador dos estudos no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Ésper Kallas, ressalta que a vacina brasileira atende os requisitos ideais.

“Qualquer vacina que preencha os critérios de ser uma vacina eficaz, que funcione muito bem, de forma duradoura, de preferência com dose única, que possa ser transportada pelo País inteiro, armazenada com facilidade, que seja de domínio dos brasileiros, é ideal. Acho que a vacina que testamos aqui chega muito próxima desses objetivos”.

Além da eficácia, o fato de a vacina ser em dose única (protege dos quatro tipos de vírus da dengue) é uma de suas grande vantagens. É possível ser aplicadas em todas as idades, inclusive em crianças. “Se a gente der uma dose só, é muito mais fácil proteger as pessoas do que, por exemplo, se tivesse ter que dar 3 doses separadas, porque a gente sabe que algumas dessas pessoas acabam não voltando para fazer a vacinação”, anota Kallas.

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