A eleição do presidente Barack Obama nos Estados Unidos gerou grande expectativa para americanos e toda a América Latina, mas sua atuação em relação ao golpe em Honduras deixou a desejar, avaliou o presidente Lula em entrevista à CNN em espanhol, concedida ainda em Cancún (México) na terça-feira (23/2) – antes de sua viagem para Cuba, onde está agora. Segundo o presidente brasileiro, os Estados Unidos “poderiam ter feito mais (em relação à crise hondurenha), contribuído para que (Manoel) Zelaya voltasse ao governo, mas lamentavelmente não fizeram esse papel que deveriam fazer”.
Para Lula, Barack Obama tem que representar a ousadia que o seu povo teve quando o fez presidente da República, que foi “um gesto excepcional”.
O presidente Lula afirmou que vai continuar tentando convencer Obama a olhar para a América Latina como um continente que quer se desenvolver – e para isso, precisa de parceria.
Queremos sair do olhar de miséria do século XX: não existe mais na América Latina aquela história de miséria dos anos 60, de que tinha gente querendo luta armada em tudo quanto era canto – nós conquistamos a democracia. Todos aqueles grupos da luta armada estão ganhando as eleições por via democrática e isso começa com o Chile, Uruguai, Brasil e Argentina, Bolívia, Equador… Os EUA devem atentar para isso. Seus vizinhos latino-americanos precisam de parceria para se desenvolver.
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Presidente Lula incentivou empresários brasileiros e mexicanos a serem mais ousados e unirem forças durante encontro empresarial bilateral realizado em Cancún, no México. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Empresários brasileiros e mexicanos têm que se ver mutuamente como parceiros, não adversários, e assim construir uma relação forte para ajudar não apenas as economias de ambos os países, mas também a dos países vizinhos. O recado foi dado pelo presidente Lula no Fórum Estratégico Empresarial que contou com empresários dos dois países, realizado na noite desta terça-feira (23/2) em Cancún, no México.
Ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, Lula afirmou que o atual cenário global exige mais ousadia e coragem de países emergentes como Brasil e México. Trabalhando em conjunto, dentro de suas fronteiras como também em outros países, as duas nações se fortalecem e ficam mais imunes a crises internacionais como a econômica do ano passado.
Lula afirmou ainda que os empresários mexicanos e brasileiros não precisam ter medo uns dos outros, porque ambas as economias não são antagônicas, mas complementares. O presidente brasileiro disse que espera ver mais parcerias entre empresas brasileiras como a que a Petrobras está fechando com a Petroleos Mexicanos (Pemex), de cooperação nas áreas de biocombustíveis, refino, petroquímica e gestão.
Quero tentar despertar nos empresários brasileiros e nos empresários mexicanos a necessidade de nós compreendermos o que está acontecendo no mundo hoje e o que é que nós precisamos construir para o futuro das relações México-Brasil.”
Para ouvir a íntegra do discurso do presidente Lula no encontro empresarial bilateral em Cancún, clique aqui:
Presidente Lula discursa durante encerramento de reunião em Cancún, México (foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Lula enfatizou, durante discurso de encerramento da sessão plenária da II Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (Calc) e XXI Cúpula do Grupo do Rio, em Cancún (México), que a Organização das Nações Unidas (ONU) deveria exercer um papel importante na busca da paz no Oriente Médio. Segundo o presidente brasileiro, o enfraquecimento da ONU interessa a algumas potências mundiais para que mantenham a liderança nos conflitos.
“A ONU deveria ter assumido responsaiblidade de estar negociando a paz no Oriente Médio”, enfatizou. “Esse é um assunto que espero que, em alguma reunião, seja colocado em pauta para a gente discutir”, disse. Leia o artigo completo »
Após o encerramento das cúpulas do Grupo do Rio e da América Latina e do Caribe (CALC), em Cancún (México), o presidente Lula almoçará com o presidente mexicano Felipe Calderón, quando reforçará a necessidade de um grande acordo bilateral com o México.
A agenda de trabalho do presidente no México será concluída com sua participação em encontro de empresários brasileiros e mexicanos no Foro Estratégico Empresarial. Em seguida, assinaturas de atos e comunicado à imprensa. No início da noite, a comitiva brasileira segue para Havana (Cuba).
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As cúpulas da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (CALC) e do Grupo do Rio (G-Rio) caminham para a unificação até 2012, segundo avaliação do assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Segundo Garcia, que acompanha o presidente Lula no México, onde se realizam encontros das duas cúpulas, a idéia da convergência dominou a primeira parte da reunião da CALC, realizada em Cancún.
Nesta terça-feira (23/2), antes do embarque do presidente Lula para Cuba, haverá na cidade mexicana uma reunião dos chefes de Estado da Unasul e um encontro bilateral para formatar um grande acordo econômico entre Brasil e México.
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