Quinta-feira, 27 de agosto de 2009 às 15:41
Enem, piso salarial e escolas técnicas
O novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o piso salarial dos professores foram os principais temas do programa Bom Dia Ministro desta quinta-feira com o ministro da Educação, Fernando Haddad. Na conversa com âncoras de emissoras de rádio de todo o país, Haddad falou também sobre a expansão do ensino técnico e a meta de se chegar a 500 mil alunos matriculados nessas unidades até 2010.
Ouça aqui a íntegra do programa:
Haddad confirmou a data da prova do Enem para o início de outubro e disse acreditar que os estudantes estão preparados para a prova:
… a pessoa que está preparada para o vestibular, ela está mais do que preparada para o Enem. E, porque que eu digo isso com muita segurança? Em primeiro lugar, porque a matriz de conteúdos do Enem, ele é uma parte do vestibular. Ele não é o vestibular todo. Toda aquela parte referente a memorização, a decoreba, tudo aquilo saiu do exame. na verdade o que vai se exigir no Enem, é muito mais capacidade de raciocínio, demonstrar capacidade analítica. E, isso você não aprende em uma semana a mais, ou duas semanas a mais. Isso você adquiriu ao longo do ensino médio, ou não.
Comentou ainda sobre o novo piso salarial dos professores, que entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano – R$ 950 por uma jornada de 40 horas. Segundo Haddad, os professores estão sendo valorizados em todo o país:
Nenhum professor brasileiro, a partir de 2010 vai poder ganhar menos de R$ 1 mil, talvez até um pouco mais. E, a carreira vai fazer com que o salário vá de R$ 1 mil, a quatro, cinco, R$ 6 mil, dependendo do estado. Há estados que vão chegar a pagar R$ 7 mil para o professor. O que nós queremos é a valorização do magistério que, no início do nosso governo, ganhava praticamente a metade do que ganhava o profissional de outras áreas, com o mesmo nível de escolaridade. Esse número vem caindo progressivamente, o profissional ganhava a metade e agora ganha 70%.
Questionado sobre a redução dos juros para novos financiamentos do Programa de Financiamento Estudantil (Fies), Haddad lembrou que essa era uma demanda histórica da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi, segundo o ministro, uma decisão acertada do presidente Lula, que determinou que a taxa de juros do Fies fosse inferior à inflação. A partir de agora, qualquer contrato de financiamento para curso universitário terá taxa de juros de 3,5%:
Isso é histórico no Brasil, nunca houve, é uma política pública adotada por alguns países desenvolvidos, não todos, e o Brasil que está na rota do desenvolvimento sustentável agora pode oferecer a seus estudantes muitas opções de acesso a educação superior.
Fernando Haddad explicou ainda a importância da criação de escolas técnicas no Rio Grande do Norte, que tinha cinco unidades e agora tem 14. Com isso, aumentam-se as opções para os jovens do Estado, que poderão escolher entre a educação profissional e a educação superior (universitária):
Em nenhum lugar do mundo a educação superior atende 100% dos jovens, mas nós precisamos atender 40 a 50% dos jovens nas nossas universidades e precisamos atender os outros 50% na educação profissional de maneira que todo jovem brasileiro tem que ter direito a uma profissão. Se é de nível médio ou de nível superior é ele quem vai decidir. Quer dizer, de acordo com a sua vocação, de acordo com a sua vontade, de acordo com as suas pretensões, de acordo com a sua condição sócio-econômico, de acordo com várias variáveis que ele controla, mas ele tem que ter direito a uma coisa ou outra. O que não pode acontecer é o que vinha acontecendo, que um jovem entrava no Ensino Médio e não sabia o que estava fazendo ali porque a perspectiva de educação superior era mínima porque não havia expansão nas universidades, não havia ProUni, não havia Fies a juro baixo, não havia universidade aberta do Brasil, não havia acesso a Educação Superior e o Ensino Médio não era integrado a educação profissional.
Para ler ou ouvir programas passados, clique aqui.
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