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Quinta-feira, 11 de junho de 2015 às 19:09

Mercosul deve sinalizar que está unido para fechar acordo com a União Europeia

celacA presidenta Dilma Rousseff defendeu, nesta quinta-feira (11), a importância dos países do Mercosul sinalizarem que estão unidos e que farão uma oferta conjunta de acordo com a União Europeia. Dilma conversou com jornalistas após encontro com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Bruxelas, durante o último dia da programação da II Cúpula UE-Celac.

A reunião teve, entre seus objetivos, o de avançar nas condições para fechar uma possível data de apresentação da oferta simultânea de um acordo entre os dois blocos. E, apesar dessa data não ter sido ainda acertada, Dilma Rousseff avaliou que o encontro foi positivo, pois um documento desse porte é de grande complexidade e foi possível avançar nos detalhes da negociação.

“Não é trivial, entre quaisquer países, fazer um acordo comercial [desse porte]. Vinte e sete países integram a União Europeia. Se a gente considerar que são países diferenciados e que eles têm, também, de fazer suas discussões, seria algo fantástico. Por que até hoje não saiu ainda um acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos? Por que não saiu um acordo entre a União Europeia e o Japão? Acordos bilaterais podem ser difíceis para qualquer país ou para qualquer região. O que você tem que ter é disposição de fazer”, disse.

Retomada da Rodada Doha
De outra parte, a presidente lembrou que o fato de esse acordo estar sendo fechado não significa que não se possa tentar novamente avançar na Rodada Doha, que visa liberalizar o comércio mundial.

“Na verdade, a Rodada de Doha é que criaria um outro ambiente, um completo e diferente ambiente para o comércio internacional entre todos os países. Acho que, assim, teria um efeito grande no Produto Interno Bruto do mundo. Um acordo internacional do padrão Doha, que era aqui que a gente queria”, afirmou.

Participação da Argentina
Dilma Rousseff disse também acreditar na participação da Argentina no acordo Mercosul-UE e que o país vizinho é um grande parceiro do Brasil. “Nós temos que ter toda a consideração com a Argentina e não existe motivo para a Argentina não ir conosco. Ela tem essa disposição de fechar [o acordo]”, garantiu.

Parcerias com a Alemanha
A presidenta relatou ainda que conversou com Angela Merkel sobre a visita que a chanceler fará no segundo semestre ao Brasil, acompanhada de vários ministros de Estado. “Essa visita, para nós, é importantíssima. Uma visita de alto nível, ela não vai sozinha, vai com uma parte do ministério. O Brasil passa a ser um parceiro especial porque essa visita de alto nível é feita com poucos países”.

Os principais pontos da pauta do encontro, segundo Dilma, serão ampliação do comércio; uma parceria forte na área de indústria, desenvolvimento tecnológico, científico; formação profissional e técnica.

“Porque eles se caracterizam – a indústria alemã – por uma grande expertise na área de inovação ali, chão de fábrica. E pela capacidade de ter uma indústria de alta qualidade, de alta precisão. Então, nos interessa isso. Nos interessa continuar a nossa discussão sobre cibersegurança. E também uma cooperação na área de tecnologia digital, na medida em que o mundo tende a digitalizar todos os processos, mesmo os mais complexos”, afirmou Dilma.

Cenário econômico
Merkel e Dilma Rousseff conversaram, ainda, sobre questões relativas às relações no G20 e em outros organismos financeiros e também discutiram sobre temas relevantes no cenário mundial. “Principalmente, fizemos uma avaliação da recuperação econômica na Europa, em um cenário de recuperação ainda incipiente”, disse a presidenta, com base na divulgação do Banco Mundial que a economia internacional vai crescer 2,8% neste ano.

Mesmo assim, disse acreditar em um processo de recuperação a partir do próximo ano, tanto para a China quanto para o Brasil e outros países emergentes. “Apesar do fim do superciclo das commodities, que se encerrou, acho que todos esses países vão ter uma recuperação – o Brasil, a China, a África do Sul, a Rússia. Todos nós vamos ter uma recuperação. E na América Latina é importante notar que também ocorreu uma mudança no patamar do crescimento. De um lado por conta dos minérios – cobre, etc. – de outro lado, por conta do preço do petróleo”, avaliou.

Próximos eventos no Brasil
Sobre sua conversa com Donald Tusk, a presidenta informou que eles falaram também sobre os próximos encontros que serão realizados no Brasil. “Vai ter [a 8ª Cúpula] Mercosul-Brasil em julho e vai ter [reunião de chanceleres com] União Europeia no segundo semestre. Nós temos que marcar a data para esse encontro entre a União Europeia e o Brasil, que os nossos chanceleres farão”.

Segundo informações divulgadas pela União Europeia, a próxima cúpula de chanceleres UE-Brasil, a ser realizada no terceiro trimestre deste ano, será um momento importante para avaliar o progresso alcançado na relação bilateral e estabelecer objetivos comuns para o próximo ano.

Quarta-feira, 10 de junho de 2015 às 21:21

Dilma, Merkel e Tusk se reúnem nesta quinta-feira para definir condições do acordo Mercosul-UE

celacA presidenta Dilma se reunirá nesta quinta-feira (11), com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e com a chanceler alemã, Angela Merkel, para fechar as condições e uma possível data para a apresentação da oferta simultânea de acordo entre o Mercosul e a União Europeia. “O fato é o seguinte: o Mercosul está em condições de apresentar uma oferta. Agora, também queremos que a União Europeia nos diga que ela também está em condições de apresentar uma oferta, e que os 27 países irão ofertar. Ou se algum não vai ofertar. Nós queremos saber quem. E como a oferta é simultânea, nós nos dispomos a marcar uma data”, disse ela.

Dilma acrescentou que, na reunião de amanhã, deverão ser construídas as condições para apresentação do acordo, “que é do interesse de todo o Mercosul e, seguramente, da União Europeia”. Estão previstos também alguns encontros bilaterais entre os governantes, disse.

Parcerias Celac-UE
Os representantes dos países que participam da II Cúpula União Europeia-Celac, em Bruxelas, definiram nesta quarta-feira (10) os principais eixos de cooperação entre o bloco. Os temas centrais de interesse do grupo são comércio e investimentos; educação, ciência, tecnologia e inovação e a questão da mudança do clima, além do crime organizado, do combate às drogas e do terrorismo.

As informações foram dadas pela presidenta Dilma Rousseff, que está participando do encontro na Bélgica.

Quarta-feira, 10 de junho de 2015 às 12:30

Brasil e Mercosul têm condições de apresentar em breve proposta comercial à UE, afirma Dilma

celacA presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (10), em Bruxelas, que o Brasil e o Mercosul têm condições de apresentar brevemente à União Europeia a proposta de acordo sobre o livre comércio com o bloco europeu. A declaração foi feita em coletiva de imprensa, após reunião com o primeiro-ministro belga, Charles Michel, a quem a presidente transmitiu a informação. Dilma participa na Bélgica da II Cúpula entre os países da Celac e da União Europeia.

“Acredito que isso possa ocorrer nos próximos dias ou meses. E esperamos que, da mesma forma, essa questão evolua de forma satisfatória do ponto de vista da União Europeia”, disse a presidenta.

"O Brasil tem uma relação muito importante e estratégica com a Bélgica. Para nós é muito importante que essa relação se expanda", afirmou Dilma. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“O Brasil tem uma relação muito importante e estratégica com a Bélgica. Para nós é muito importante que essa relação se expanda”, afirmou Dilma. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Durante o encontro, os mandatários discutiram também as relações bilaterais. Falando sobre o Programa de Investimentos em Logística, lançado nesta terça-feira (9), Dilma destacou que a expertise de empresas belgas instaladas no Brasil, especialmente daquelas que atuam no setor de portos e infraestrutura, será muito útil. Dilma lembrou que Brasil e Bélgica já têm uma relação forte, mas que é importante que se desenvolva ainda mais.

“A Bélgica e as empresas belgas têm uma presença muito forte no Brasil em várias áreas”, afirmou. “Trocamos ideias a respeito desse momento que o mundo atravessa. do fim do superciclo das commodities e a necessidade de se ampliar a cooperação econômica, o comércio internacional e ampliar os investimentos.” A presidenta apontou também a agricultura como um campo importante de cooperação.

Dilma ainda agradeceu à parceria daquele país ao receber alunos brasileiros do programa Ciência sem Fronteiras. De acordo com ela, os estudantes que buscam universidades de alto nível seus estudos encontraram na Bélgica uma acolhimento muito especial. “E nos propomos a expandir essa relação, inclusive, acrescentando essas bolsas e os estágios. Estágios nas empresas, tanto aquelas que estão no Brasil como nas próprias brasileiras que aqui investem.”

Confira a íntegra

Quinta-feira, 21 de maio de 2015 às 18:21

Para FMI, acordo Mercosul-União Europeia trará benefícios econômicos à população dos dois blocos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) enxerga como promissor o fechamento de uma acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, afirmou, nesta quinta-feira (21), a diretora-geral do fundo, Christine Lagarde, após se reunir com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Segundo Lagarde, um acordo como esse trará fortes benefícios econômicos para a população dos dois blocos.

Além de questões econômicas, Dilma e Christine Lagarde discutiram a agenda das mudanças climáticas e as medidas efetivas que o assunto exige. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Além de questões econômicas, Dilma e Christine Lagarde discutiram a agenda das mudanças climáticas e as medidas urgentes que o assunto exige. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A diretora também afirmou, em declaração à imprensa, que ela e a presidenta discutiram a agenda das mudanças climáticas e as medidas efetivas que o tema exige.

“A presidenta Dilma Rousseff e eu tivemos uma boa troca de pontos de vista acerca do atual estado da economia global, questões de desdobramento regional, bem como a possibilidade de uma relação comercial mais estreita entre o Mercosul e a União Europeia e os benefícios econômicos que disso adviriam. Discutimos também a agenda das mudanças do clima e questões relacionadas que exigem um tratamento urgente em escala global”, afirmou.

Quinta-feira, 21 de maio de 2015 às 17:31

Acordo com União Europeia é estratégico para ampliar e fortalecer o Mercosul

Brasil e UruguaiO acordo entre o Mercosul e a União Europeia é um dos passos estratégicos na área de comércio internacional da região e é uma prioridade da agenda do bloco, disse a presidenta Dilma nesta quinta-feira (21). “Vamos propor à União Europeia que definamos, para mais breve prazo possível, a data de apresentação simultânea das nossas ofertas comerciais,” enfatizou ela, durante a cerimônia oficial de recepção do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez.

Dilma disse que Uruguai e Brasil têm posições coincidentes de que o Mercosul representa um importante patrimônio comum, mas que é hora de avançar. “Como diz o presidente Tabaré Vázquez: ‘O Mercosul tem sempre de se adaptar às novas circunstâncias’. Como [ocorre] aliás, não só os seres humanos, como [com] aquilo que nós produzimos, as instituições e as entidades às quais dedicamos o nosso interesse”, afirmou.

O bloco econômico dos países da América do Sul, acrescentou a presidenta, é um “ambicioso processo de integração em nossa região, graças ao qual conquistamos resultados bastante expressivos. Desde a criação do bloco, o comércio interno multiplicou-se por 11: passamos a quase US$ 52 bilhões em 2014”.

O presidente uruguaio Tabaré Vázquez, concordou que o acordo com a União Europeia é de “fundamentalíssima importância” para o Mercado Comum do Sul. “Continuamos mantendo firmemente o processo de integração regional. Mas, ao mesmo tempo em que valorizamos e queremos resgatar e fortalecer o Mercosul, também pretendemos adaptar o Mercosul à realidade política internacional, à realidade econômica e comercial internacional. Nesse sentido, talvez uma adaptação nas regras do Mercosul, como uma maior flexibilização, pode abrir caminhos importantes para os nossos países e para melhorar a qualidade de vida com nossos povos”.

Confira a íntegra

Quinta-feira, 21 de maio de 2015 às 11:33

Tempo real: Almoço em homenagem ao presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez

14h15 – Agora o presidente Tabaré Vázquez faz brinde durante almoço em sua homenagem no Palácio Itamaraty.

14h10 – Presidenta fala durante almoço no Itamaraty.

14h – O presidente Tabaré Vázquez chega ao Palácio Itamaraty.

13h52 – Presidenta conversa com jornalistas na chegada ao Palácio Itamaraty.

13h30 – Está encerrada a cerimônia no Palácio do Planalto. Agora, Dilma e Tabaré seguem para o Palácio Itamaraty, onde será oferecido um almoço em homenagem ao Chefe de Estado uruguaio.

13h20 – Fala agora o presidente Tabaré Vázquez.

13h16 – Presidenta Dilma saúda o presidente Tabaré Vázquez e o povo uruguaio. “Tenho certeza que Uruguai e Brasil continuarão parceiros inseparáveis, empenhados na consolidação de um espaço de paz, cooperação, democracia e crescimento com justiça social em nosso continente e também no mundo”, afirmou.

13h – Começa a declaração conjunta à imprensa dos presidentes do Brasil e do Uruguai. Acompanhe o minuto a minuto no twitter do Blog do Planalto.

12h53 – Confira algumas imagens da chegada do presidente Tabaré Vázquez ao Palácio do Planalto. Fotos: Roberto Stuckert Filho/PR.


11h50 – Salva de tiros de canhão saúda o Chefe de Estado do Uruguai. Entenda a origem da homenagem:

11h41 – Presidente Tabaré Vázquez chega ao Palácio do Planalto e passa as tropas em revista.

11h40 -Os presidentes do Brasil e do Uruguai discutirão o avanço dos principais projetos de integração bilateral e de temas regionais e multilaterais, com ênfase no Mercosul  e no processo de integração regional.

O Brasil e o Uruguai estabeleceram, em julho de 2012, um novo paradigma para as relações bilaterais, que se baseia em uma integração profunda e abrangente, destinada a proporcionar benefícios concretos aos dois países. A decisão refletiu-se na criação do Grupo de Alto Nível Brasil–Uruguai, que tem impulsionado importantes projetos bilaterais nas áreas de facilitação do comércio, integração produtiva, infraestrutura de transportes, cooperação fronteiriça e integração energética.

No plano comercial, o Brasil é o principal destino das exportações uruguaias e o segundo maior fornecedor de produtos para o país. Em 2014, o intercâmbio bilateral alcançou US$ 4,9 bilhões, superando o recorde histórico anterior, de 2012.9915

11h35 – Há menos de dois meses, Tabaré Vázquez recebeu a faixa de seu antecessor, José Mujica. A presidenta Dilma esteve em Montevidéu para prestigiar a posse de Tabaré.

Nesta quinta (21), o recém-empossado presidente do Uruguai encontra-se com a presidenta Dilma Rousseff para realizar a primeira visita de Estado de seu mandato e tratar de interesses bilaterais, como comércio, energia e infraestrutura, além de planos multilaterais relacionados ao Mercosul, Unasul e Celac.

11h26 – Logo mais começam os ritos oficiais para receber o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez.

Sábado, 11 de abril de 2015 às 15:02

Integração regional tem o potencial de promover justiça social nas Américas, afirma Dilma

Cúpula das Américas 2015

Para a presidenta Dilma Rousseff, a democracia e os novos paradigmas políticos preponderantes na América Latina, nos últimos anos, inverteram a lógica da ação do Estado na região conferindo prioridade ao desenvolvimento sustentável aliado à justiça social. A afirmação foi feita na 1º Sessão Plenária da Cúpula das Américas, na manhã deste sábado (11), no Panamá.

Hoje, a América Latina e o Caribe têm menos pobreza, fome, analfabetismo e mortalidade infantil. (…) Mas é preciso mais riqueza, dignidade, educação e é isso o que vamos construir nos próximos anos”, defendeu.

“Educação inclusiva e de qualidade é indispensável para romper o ciclo de reprodução da desigualdade", afirmou Dilma. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“Educação inclusiva e de qualidade é indispensável para romper o ciclo de reprodução da desigualdade”, afirmou Dilma. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Em sua fala, a presidenta atribuiu esses avanços ao vigor democrático da região nos últimos anos e a capacidade dos países latino-americanos de se organizarem em fóruns como o Mercosul, a Aliança do Pacífico, a Unasul e a Celac. Segundo Dilma, a integração regional tem o potencial de reduzir as desigualdades sociais e promover  desenvolvimento. Ela defendeu também a necessidade de ampliar e consolidar a justiça social no continente.

Para isso, a presidenta reafirmou o papel que a educação ocupa no combate às desigualdades, segundo ela, hoje o maior desafio da América Latina:

Educação inclusiva e de qualidade é o maior desafio do nosso continente, porque ela é indispensável para romper o ciclo de reprodução da desigualdade para gerar oportunidade de inovação, democratizar acesso e a produção do conhecimento”.

Nesse sentido, Dilma ressaltou a importância do desenvolvimento baseado no investimento em pesquisa e na ciência, que seria capaz de romper um ciclo histórico dos países latino-americanos, historicamente, exportadores de produtos primários.

“O nosso objetivo é não sermos apenas produtores de commodities e sim entrarmos na economia do conhecimento e introduzirmos a inovação. Sim, temos riqueza (…) Podemos ser grandes produtores de commodities, mas também temos homens e mulheres que serão capazes de criar um novo século de inovação baseada na pesquisa e ciência”, afirmou.

Confira a íntegra

Segunda-feira, 2 de março de 2015 às 8:30

Exclusivo: José Mujica exalta sintonia entre Brasil e Uruguai em prol do desenvolvimento regional

José Mujica deixa a presidência do Uruguai depois de um mandato de cinco anos. Como legado, elevou o nível das relações comerciais e políticas com o Brasil. Hoje, o país vizinho exerce a presidência pro-tempore da Unasul e também articula com o Brasil importantes decisões dentro do Mercosul.

Em depoimento exclusivo ao Blog do Planalto, Mujica agradeceu a boa vontade política do governo brasileiro nos últimos anos para  a concretização de importantes parcerias e diz que a expectativa para o governo de seu sucessor, Tabaré Vázquez, é de dar continuidade aos projetos e desafios em andamento.

“Existe uma continuidade nos últimos dez anos e vai continuar por, no mínimo, mais cinco anos. Isso nos dá estabilidade na política. Penso que não haverá sobressaltos nem para nós e nem para o Brasil”, afirma. Claro que poderá haver uma diferença em nuances, mas temos orientações muito parecidas e nossa sintonia com os últimos governos brasileiros é muito importante”, diz.

Mujica reiterou também a posição estratégica do Brasil como parceiro comercial de seu país e também sua incontestável liderança política regional. “Sabemos que o Brasil é um país gigantesco para nossa escala, e que é decisivo para que exista – ou não exista – integração na América do Sul”, analisa.

O agora ex-presidente diz que os interesses da região devem prevalecer e que as decisões a serem tomadas devem levar em consideração os interesses latino-americanos. “Devemos ter em mente que devemos ter uma única rivalidade, que é no futebol, e nada mais; a rivalidade desportiva e nenhuma outra; nas outras temos que convergir sempre que possível”, brinca.

Domingo, 1 de março de 2015 às 8:00

Uruguai e Brasil: um “novo paradigma”, artigo da presidenta Dilma Rousseff

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Em artigo publicado neste domingo, 1º de março, no jornal Uruguaio El Pais, a presidenta Dilma Rousseff traça cronologia histórica para relembrar as boas relações entre Brasil e Uruguai. Dentre elas, Dilma destaca inauguração do Parque Eólico Artilleros, a mais recente parceria que beneficiará ambos países com interconexão e segurança energética, além da evolução do comérico entre os países, que chegou ao crescimento de 24% em 2014.

Dilma Rousseff também homenageia José Mujica e cumprimenta o novo presidente Tabaré Vázquez, de quem acompanha posse logo mais. Veja o artigo na íntegra.

Com enorme alegria visito o Uruguai pela quarta vez como presidenta do Brasil.

Neste momento de despedida de José Mujica e de retorno de Tabaré Vázquez à Presidência celebro os avanços obtidos na integração bilateral e reafirmo nossa determinação de seguir adiante nesse caminho.

Desde o início de meu primeiro mandato, em 2011, tive clara a natureza única e privilegiada do diálogo com o governo e a sociedade uruguaios. Esse tipo de convergência não se dá por acaso.

O espírito de confiança mútua e irmandade no relacionamento Brasil-Uruguai remonta a 1909, quando negociamos o Tratado que estabeleceu o condomínio binacional da Lagoa Mirim e do Rio Jaguarão. Além de atender ao pleito pela livre navegação, o Tratado gerou dinâmica cooperativa nas relações bilaterais, que abriu caminho para a interconexão ferroviária Rivera-Santana do Livramento (1913) e a construção da ponte internacional sobre o Rio Quaraí (1915). Cidades como Santana do Livramento e Rivera passaram a simbolizar a comunhão entre uruguaios e brasileiros.

Ciente do caráter especial das relações entre nossos países, o Presidente Mujica e eu decidimos estabelecer novo paradigma para o relacionamento bilateral, baseado em iniciativas concretas, com vistas a uma integração profunda e abrangente. Para tanto, instituímos, em 2012, o Grupo de Alto Nível Brasil-Uruguai, encarregando-o de supervisionar projetos de integração em áreas prioritárias, capazes de gerar mais desenvolvimento e mais inclusão social para nossas sociedades.

Trata-se, na prática, de buscar maior complementação industrial, crescente dinamismo na integração da infraestrutura, maior fluidez em nossas fronteiras, mais e melhor comércio, além da consolidação de nossa interconexão energética.

O Parque Eólico de Artilleros, que tive o prazer de co-inaugurar, representa iniciativa de cooperação pioneira e emblemática, entre a UTE e a Eletrobras, no setor de geração renovável de energia. Artilleros soma-se à nova linha de transmissão entre o Brasil e o Uruguai, cuja entrada em operação fortalecerá a segurança energética de nossos dois países.

Na evolução do comércio, verificamos resultados concretos. Em 2014, alcançamos recorde histórico, com crescimento de 27% do intercâmbio comercial. Não se trata apenas de aumento quantitativo, mas de ganho de qualidade: há apreciável incremento de produtos processados e manufaturados nas exportações entre os países. É significativa, nesse contexto, a consolidação da indústria automobilística no Uruguai, para o que contribuem decisivamente os mercados do Brasil e dos demais sócios do Mercosul.

O intenso relacionamento entre o Brasil e o Uruguai transcende nossas fronteiras. A atuação coordenada de nossos dois países tem sido essencial para a construção e consolidação do Mercosul, da Unasul e da Celac.

Isso tem sido possível porque compartilhamos valores — fundados na paz, na solidariedade e na democracia — e porque estamos empenhados na busca soberana pelo desenvolvimento com justiça social. Claro está que a integração bilateral e regional contribui decisivamente para esses objetivos.

Neste momento de celebração da democracia no Uruguai, quero registrar, com sentida emoção, meu apreço e minha amizade ao presidente José Mujica. Dom Pepe é, a um só tempo, exemplo de vida e fonte de inspiração, tendo deixado uma marca na história uruguaia e regional, tanto por sua trajetória pessoal, de luta permanente pela justiça social, quanto pelo que realizou em benefício do povo uruguaio.

Tenho plena convicção de que manteremos, com o presidente Tabaré Vázquez, o mesmo nível de excelência no relacionamento entre nossos países. O retorno de Tabaré – amigo do Brasil – à chefia da nação uruguaia nos dá a certeza de podermos avançar ainda mais na consolidação da integração entre o Uruguai e o Brasil, em prol do desenvolvimento e do bem-estar das nossas sociedades e do conjunto da região.

Domingo, 1 de março de 2015 às 7:30

Relações entre Brasil e Uruguai estão em estágio excepcional, avalia embaixador

A presidenta Dilma Rousseff será uma das chefes de Estado presentes à cerimônia de posse de Tabaré Vázquez, que assume a presidência do Uruguai neste 1º de março, sucedendo José Mujica.

O Uruguai tem sido, nos últimos anos, um dos principais parceiros comerciais do Brasil na América Latina. O Brasil é o principal destino das exportações uruguaias e o segundo maior fornecedor de produtos para o país. Em 2014, o intercâmbio bilateral alcançou US$ 4,86 bilhões (crescimento de mais de 25% em relação a 2013), superando recorde histórico anterior, registrado em 2012.

Segundo o embaixador brasileiro no Uruguai, João Carlos de Souza Gomes, as relações de cooperação e interconexão entre os dois países têm se ampliado nos últimos anos em diversos setores. Ele destaca que Brasil e Uruguai atuam fortemente para ampliar integração não só bilateralmente quanto regionalmente, sobretudo no âmbito do Mercosul e Unasul.

Prova disso é o Grupo de Alto Nível Brasil-Uruguai (GAN), um projeto de integração profunda e abrangente, concebido como motor e exemplo para o aprofundamento do processo de integração regional. Seu objetivo é coordenar a implementação de projetos bilaterais prioritários, centralizando as iniciativas desenvolvidas nas diversas áreas do relacionamento bilateral. O embaixador brasileiro enumera diversos projetos em andamento que trarão benefícios nas áreas de infraestrutura, circulação de bens e pessoas e comércio interregional.

“Foi concluída a ferrovia que vai unir o Brasil ao Uruguai e isso tem um significado muito importante porque a maior parte do comércio entre os dois países é feito através de rodovias. Então, ao disponibilizar-se uma ferrovia, você vai conseguir um aumento do comércio a custos mais reduzidos”, cita João Carlos.

João Carlos destaca outra obra que trará importantes benefícios para toda a região: a construção da segunda ponte sobre o rio Jaguarão, que divide Brasil e Uruguai. “Essa obra vai permitir o aumento do fluxo de caminhões e de carros de passeio e medidas também na área da livre circulação de bens e pessoas”, afirma.

O embaixador acredita que as relações entre Brasil e Uruguai atingiram um estágio excepcional e diz que o mandato de Tabaré Vázquez dará continuidade às parcerias já existentes entre os dois países.

“De fato, o Brasil e o Uruguai são países irmãos. Nós temos certeza que a relação deve continuar nesse mesmo nível de intensidade, de amizade e cooperação. Nós temos pela frente ainda um largo caminho a ser percorrido, mas que está sendo acelerado de uma forma muito harmônica em benefício dos dois países. Sempre digo que entre o Brasil e o Uruguai nada nos separa e tudo nos une”, finaliza.

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