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Sexta-feira, 6 de maio de 2016 às 8:10

‘Não estão me acusando de um crime de corrupção porque eu não cometi’

A presidenta Dilma Rousseff enfatizou, nessa quinta-feira (5), que não cometeu nenhum crime de responsabilidade e que, portanto, o pedido de impeachment que tramita no Senado Federal não tem base jurídica. As afirmações foram feitas em entrevista exclusiva concedida à emissora latinoamericana TeleSUR.

“Não estão me acusando de um crime de corrupção porque eu não o cometi. Não tenho contas bancárias no estrangeiro, não tenho processos por tirar vantagens de qualquer forma do governo. Se trata de uma discussão sobre contas públicas e esse tipo de questão administrativa, sem crime de responsabilidade, não é base para tirar uma presidente da República eleita. Este impeachment é um golpe de estado”, disse.

A presidenta disse acreditar que o golpe não é apenas contra o seu mandato, mas “contra a democracia e todo o processo democrática da América Latina, que fomenta o crescimento dos setores mais pobres e as políticas sociais”, disse. “Estamos enfrentando um momento de crise no capitalismo que afetou os países emergentes. Houve uma desaceleração econômica. É nesses momentos que surgem os golpes, quando os países estão mais frágeis”, alertou.

Ela afirmou ainda que o suposto programa de governo do vice-presidente Michel Temer, amplamente repercutido na imprensa, faz parte de uma política derrotada nas urnas nas últimas eleições presidenciais em 2014. Segunda a presidenta, o impedimento de seu mandato seria uma forma da oposição chegar ao poder “através de vias que não as eleitorais”.

A presidenta reafirmou, por fim, que não acredita no impedimento do seu cargo, mas, sim, na força dos movimentos sociais para lutar pela democracia.

“Acho que o golpe não irá se consumar e lutamos para isso. Vamos lutar dentro das regras democráticas. Com as lutas, saímos sempre com algumas conquistas. A América Latina tem experiencia suficieete para saber para onde não podemos seguir”.

 

Sábado, 30 de abril de 2016 às 9:02

Fotografei pessoas que nunca tinham sido atendidas por um médico, diz Araquém Alcântara


“Eu sou um fotógrafo andarilho”. É assim que Araquém Alcântara resume suas quatro décadas e meia de carreira como um dos precursores da fotografia de natureza no Brasil, apresentando um país de sertanejos, índios, pescadores e quilombolas. Aos 65 anos, o catarinense de Florianópolis parece um garoto quando fala de seu mais novo projeto: o livro Mais Médicos, que ganhou uma exposição no Palácio do Planalto.

“Fui a lugares em que nunca tinha ido médico. Fotografei pessoas que nunca tinham sido atendidas, lugares que não podem mais continuar sem a presença do Estado”, diz ele, que percorreu 20 estados e mais de 40 municípios durante cerca de um ano. Em sua vasta produção constam 47 publicações sobre temas ambientais, mais 22 em co-autoria, que resultaram em 32 prêmios nacionais, cinco internacionais e 75 exposições individuais.

Sobre o livro, Araquém deu entrevista exclusiva ao Blog do Planalto, após participar de cerimônia com a presidenta Dilma Rousseff, na sexta-feira (29), de anúncio da prorrogação da permanência dos médicos no Programa Mais Médicos. Para Araquém, a obra é um manifesto humanista sobre a sociedade brasileira. Isso porque o programa, iniciativa do governo federal, levou atendimento a 63 milhões de brasileiros.

“Todo o meu sentimento é de contribuir para que nós tenhamos uma verdadeira consciência do que é ser brasileiro, com arte, alegria, elegância e amor”, disse ao ceder imagens do livro para o acervo da Fundação Oswaldo Cruz. Confira a entrevista.

Blog do Planalto: Como surgiu a ideia de fazer um livro fotográfico sobre o programa Mais Médicos?

Araquém Alcântara: Bom, surgiu mais ou menos em setembro de 2014 quando um médico amigo meu, o doutor Fausto Figueira de Melo, assessor especial do ex-ministro Arthur Chioro, me falou do Mais Médicos. Estava aquela polêmica sobre o programa, e ele me mostrou umas fotos de onde estavam fazendo assistência e o programa estava atuando. Eu tenho uma editora, fiquei entusiasmado, falei assim: “Puxa vida, eu ando tanto por esse País e faço um trabalho tão humanista, vou dar uma olhada nisso ai”. Comecei a me interessar e resolvi fazer o livro. Nisso eu comecei a andar. Andei por 20 estados e cerca de 40 municípios em um ano e três meses. Resolvi fazer uma saga por achar que o programa foi me entusiasmando a tal ponto, que decidi fazer um manifesto humanista. Fizemos a doação desse material pra um arquivo museológico na Fundação Oswaldo Cruz. Isso é bom porque torna o trabalho perene, com exposições em Genebra, Cuba, Washington e no Rio de Janeiro, durante as Olimpíadas do Rio. Então é a fotografia como um instrumento de comunicação, um instrumento de transformação social. Não adiantam números, não adiantam as vezes palavras, é preciso mostrar a cara do médico, é preciso mostrar o lugar onde ele está. Eu acho que a minha contribuição, como sempre acontece nos meus livros, é revelar um país profundo e a verdadeira identidade, a verdadeira face desse povo.

Araquém percorreu 20 estados e mais de 40 municípios para produzir o livro Mais Médicos, que retrata o dia a dia do programa que levou atendimento médico a 63 milhões de pessoas. Fotos: Blog do Planalto

Araquém percorreu 20 estados e mais de 40 municípios para produzir o livro Mais Médicos, que retrata o dia a dia do programa que levou atendimento a 63 milhões de pessoas. Fotos: Blog do Planalto

Blog do Planalto: E o que mais te chamou atenção no programa?

Araquém Alcântara: O mais impressionante é a questão da presença do Estado. Há lugares em que nunca tinha ido médico. Eu fotografei pessoas que nunca tinham ido ao médico. Fotografei também lugares que não podem mais continuar sem a presença do Estado. Todo o meu trabalho, há muitos anos, há 46 anos, é trazer esclarecimento, é fazer com que as pessoas entendam qual é a verdadeira identidade desse País. Um Brasil, um País que não se reconhece, não pode crescer. Então meu trabalho luta, clama por uma identidade de nação, uma consciência de nação, que entra pela educação, pela saúde, pela ecologia. Nós ainda estamos engatinhando como nação.

Blog do Planalto: E teve algum momento especial que te marcou durante suas viagens pelo País para a produção do livro?

Araquém Alcântara: Muitos, muitos momentos emocionantes. É aquele negócio, eu chegava em comunidades, em lugares tão ermos, que eu acompanhava o médico no seu dia a dia, e isso me trouxe muitos encontros interessantes. Dois exemplos emblemáticos: um, a médica Aimê, de um lugar no interior de Alagoas. Ela viu que os arrozais provocavam esquistossomose nas crianças. Então, ela começou a trabalhar na erradicação disso, começou a trabalhar com a educação sanitária. Ela praticamente erradicou esquistossomose nessa região. E o outro é uma parteira, na comunidade quilombola de Poço Comprido, no sertão de Sergipe. Ela também é da umbanda, e se encontrou com um médico que foi destacado para lá, que é da santeria cubana. Os dois, através da espiritualidade e através de ações práticas, estão revolucionando a vida na região. Eu acho que é isso, o meu trabalho clama por essas transformações. Eu mostro isso, eu mostro também o lado que deu certo, eu não mostro só os horrores da devastação, os horrores da miséria.

Blog do Planalto: Como você avalia o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff em curso no Congresso Nacional?

Araquém Alcântara: É um retrocesso político incrível. A economia está aí, estagnada. É terrível isso. Eu só espero que a gente aprenda a discutir dentro do campo da inteligência, da tolerância, das ideias. Eu mesmo, com esse livro, fui “patrulhado”, como falava a revista Pasquim antigamente. Eu faço o meu trabalho, tenho uma repercussão grande no mundo todo e a minha matriz criativa é o Brasil, a Amazônia, o sertão, o homem do sertão, o homem do litoral, a caatinga, o homem da mata e, mesmo assim, quando você vai fazer um trabalho humanista desse tipo, você sofre [patrulhamento]. Isso aí, para mim, é uma coisa insignificante, mas o que acontece no País não é. Hoje, é preocupante. Nós precisamos é de muitos manifestos humanistas, precisamos de mais humanidade.

Blog do Planalto: Então uma ruptura no processo democrático pode colocar em risco esses avanços sociais?

Araquém Alcântara: Acho. Pode acontecer um retrocesso muito grande, inclusive o próprio programa Mais Médicos. Pode acontecer qualquer loucura porque há uma possibilidade de perdermos avanços sociais. E o pior de tudo é que começam a surgir os fascistas. Os fascistas, que estavam entocados, começam a aparecer.

Blog do Planalto: E como a sua arte pode contribuir para um País mais justo?

Araquém Alcântara: Meu objetivo é atingir, é fazer com que o meu trabalho não atinja só uma parte da elite, uma parte do povo brasileiro. Vamos ver, eu já fiz 50 livros e espero ter fôlego para fazer mais 50, dando vida, mostrando o que pulsa. Você só capta o verdadeiro caráter de um povo se estiver entre eles, experimentá-lo. Como diz João Cabral de Melo Neto, “para aprender da pedra, frequentá-la”.

Blog do Planalto: Como você resume sua carreira até aqui?

Araquém Alcântara: Eu sou um fotógrafo viajante, um fotógrafo andarilho. Para entender esse País, só andando. Como diria Tom Jobim, “ah, o Brasil! O Brasil é para profissionais”. Todo o meu sentimento é de contribuir para que nós tenhamos uma verdadeira consciência do que é ser brasileiro, com arte, alegria, elegância e amor.

Quinta-feira, 28 de abril de 2016 às 18:35

“Jamais pensei em ver novamente processos arbitrários”, diz Dilma sobre impeachment a CNN

Presidenta Dilma Rousseff concede entrevista à CNN. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Presidenta Dilma Rousseff concede entrevista à CNN. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Em entrevista exclusiva para Christiane Amanpour, correspondente-chefe da TV CNN para assuntos internacionais, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que jamais pensou que veria, novamente, um processo arbitrário no Brasil. Dilma fez a referência ao impeachment, após ao ser questionada sobre como se sentirá caso não esteja no comando do País na abertura da Olimpíada Rio 2016, em agosto. A entrevista foi ao ar na tarde desta quinta-feira (28).

“Eu estou mais triste porque acho que a pior sensação que existe para qualquer ser humano é a injustiça. E eu estou sendo vítima de uma grande injustiça, que é esse processo de impeachment, porque com ele eu perco uma conquista democrática do país. Ocorre na minha época histórica algo que eu jamais pensei em ver novamente: processos arbitrários em andamento. Então é assim, eu me sinto muito triste se eu não participar da Olimpíada, e eu me sinto muito triste também por tudo isso que vem acontecendo, de assistir a um comprometimento da democracia na primeira dificuldade. E qual é a primeira dificuldade? É a existência de crise.”

Dilma também falou que a ajuda do ex-presidente Lula como ministro-chefe da Casa Civil teria sido fundamental para evitar a abertura do processo de impedimento. Segundo a presidenta, seus adversários fizeram de tudo para evitar a posse do ex-presidente com alegações absurdas, como por exemplo dizer que seu objetivo era apenas o de dar foro privilegiado a seu antecessor.

“Então essa história era, não era bem assim, era para impedir, por que a vinda do Lula me ajudaria. O Lula é uma pessoa com experiência, ele durante oito anos foi presidente da República. Ele como ministro-chefe da Casa Civil me ajudaria e muito no Brasil. Ele conhece totalmente o Brasil, por que não deixaram? Não deixaram porque sabem que ele nos fortaleceria.Veja você que o próprio Supremo recentemente julgou uma parte dessa questão e deu fórum privilegiado para o Lula. Nem por isso eles aprovaram a entrada dele na Casa Civil”.

A presidenta afirmou que a baixa popularidade não pode ser justificativa para um processo de impedimento, classificado como um golpe por ela.

“Não é o processo de tirar presidente, não é. Não pode ser simplesmente você fazer uma pesquisa. Um processo eleitoral é o momento de debate, não é uma fotografia congelada de um determinado momento em que um país passa. Você já imaginou se a moda do impeachment pega? Cada vez que um presidente tiver flutuação de popularidade, ele vai ser retirado do cargo. Você sabe que um presidente, diante da crise, e não fomos nós que criamos a crise, essa crise, ela vem desde 2008, e atingiu de forma muito pesada os países emergentes a partir de 2014 e 2015. “

Ela lembrou ainda que não teve um minuto de paz nos últimos 15 meses, desde que se reelegeu, e passou a enfrentar dificuldades políticas no Congresso. Segundo a presidenta, todas as medidas enviadas à Câmara para enfrentar as dificuldades econômicas foram torpedeadas pela Casa e por seu presidente.

“Porque (eles) não apenas começaram a instabilidade política, tentaram inviabilizar a retomada do crescimento econômico. Do que eu sou acusada? Eu sou acusada, por exemplo, de transferir, porque nós pagamos transferência de renda sim.”

Para Dilma, a reforma política é urgente para que o país volte a crescer. Ela lembrou que, durante as manifestações de 2013, propôs uma Constituinte exclusiva para debater o tema, e que suas propostas não prosperaram.

“Naquela época, em 2013, nós falamos em uma constituinte que desse início a uma reforma política no Brasil, porque o Brasil não precisa só de reforma econômica, precisa também de reformas políticas, uma profunda reforma política, para viabilizar qualquer pessoa que sentar na minha cadeira, conseguir gerir e conseguir gerir de forma republicana esse país, ter uma relação republicana com o Congresso. E o Congresso também terá mais facilidade para os processos, e é necessário diminuir o custo das campanhas eleitorais no Brasil. Eu sou a favor de qualquer transformação no Brasil ser baseada no voto direto secreto. Eu não me apego a um cargo, eu acho que não se pode admitir é eleição indireta. Agora, eleição direta, eu sempre vou admitir.”

Terça-feira, 19 de abril de 2016 às 12:57

Dilma: é terrível alguém ‘homenagear’ o maior torturador que o Brasil conheceu  

Dilma: lastimo que, nesse momento no Brasil, tenham dado espaço para esse tipo de situação de raiva, de ódio e perseguição.Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma: “Lastimo que, nesse momento no Brasil, tenham dado espaço para esse tipo de situação de raiva, ódio e perseguição”. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff lamentou nesta terça-feira (19), durante entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros, a  terrível declaração de um deputado federal que ‘homenageou’, em seu voto favorável ao impeachment, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Comissão Nacional da Verdade como torturador durante o regime militar brasileiro.

Eu, de fato, fui presa nos anos 70. De fato, eu conheci bem esse senhor ao que ele se referiu. Foi um dos maiores torturadores do Brasil, contra ele recai não só o acusação de tortura, mas também de mortes, só ler os documentos da Comissão da Verdade. Lastimo que, nesse momento, o Brasil tenha dado espaço para esse tipo de ódio, situação de raiva de ódio de perseguição. E, veja você, em um processo como o nosso em que a democracia resulta de uma grande luta. É terrível você ver no julgamento alguém defendendo esse torturador. É lamentável”.

Questionada por uma jornalista se o fato de ser a primeira presidenta mulher no Brasil influenciou nas tentativas de desestabilização do seu governo, Dilma disse acreditar que a questão de gênero é um forte componente nesse processo. Para ela, certas atitudes não aconteceriam caso o presidente da República fosse um homem.

“Houve, inclusive, recentemente um lamentável episódio de um texto de um órgão de imprensa que mostra uma misoginia. Falam o seguinte, mulher sob tensão tem que ficar histérica, nervosa e desequilibrada. E não se conformam que eu não fique, nem nervosa, nem histérica, nem desequilibrada. Aí tem uma outra ala que diz que não é bem isso, porque eu não estou percebendo o tamanho da crise. Eu até não gosto de falar porque eu tenho uma familiar e acho a forma que tratam essa questão muito desrespeitosa: falam que eu sou autista. Um preconceito tão grande quanto o de gênero.[…] Agora, eu lamento profundamente o grau de preconceito contra a mulher, de que mulher tem que ser frágil. Ora as mulheres brasileiras não têm nada de frágeis, elas criam filhos e lutam”, disse de enfatizar sua percepção sobre posicionamentos machistas. “Tem misturado nisso tudo um grande preconceito contra a mulher. Têm atitudes comigo que não teriam com um presidente homem”.

Terça-feira, 19 de abril de 2016 às 11:56

Brasil tem um veio golpista adormecido, diz Dilma a jornalistas estrangeiros

Presidenta durante coletiva de imprensa. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Presidenta durante coletiva de imprensa. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (19), a jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto, estar sendo vítima de um processo de impeachment baseado em uma injusta fraude jurídica e política. A presidenta lembrou que, nos períodos democráticos do País, todos os presidentes enfrentaram processos de impedimento no Congresso Nacional.

“O Brasil tem um veio que é adormecido, um veio golpista adormecido. Se nós acompanharmos a trajetória de presidentes no meu País, do regime presidencialista a partir de Getúlio Vargas, nós vamos ver que o impeachment sistematicamente se tornou um instrumento contra os presidentes eleitos”.

Dilma argumentou que crise econômica e impopularidade não são motivo para se pedir o impeachment de um presidente da República. Para ela, as tentativas de desestabilizar seu mandato se basearam na estreita margem de votos que a elegeram nas eleições de 2014.

“Essa eleição perdida por essa margem tornou essa oposição derrotada bastante reativa a essa vitória e por isso começaram um processo de desestabilização. Esse meu mandato de 15 meses tem o signo da desestabilização política”.

A presidenta também relacionou as ações que foram tomadas contra a governabilidade, a começar pelo pedido “inusitado” de recontagem de votos, logo após a divulgação do resultado das eleições.

No Brasil, desde a adoção das urnas eletrônicas, não há dúvidas por parte da sociedade da fidedignidade dos resultados eleitorais, o que torna muito claro os objetivos por traz disso. Na sequência, também foi pedido pela oposição que se fizessem auditorias nas urnas. Como em nenhum dos dois casos foi encontrada uma falha sequer, recorreu-se ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), antes da posse para o segundo mandato, para tentar impedir a diplomação da presidenta“, lembrou.

Como nenhuma destas ações surtiu efeito, deu-se início a “práticas absolutamente condenáveis”, destacou Dilma, que ganharam força com a atual presidência da Câmara dos Deputados: as chamadas pautas-bomba. Os opositores passaram a agir para impedir a redução de gastos necessária ao atingimento da meta fiscal.

Conspiração
Dilma evidenciou ainda que por trás da tentativa de impeachment está o objetivo de um grupo de chegar à Presidência da República sem ter que se submeter à vontade popular.

“A conspiração se dá pelo fato de que a única forma de chegarem ao poder no Brasil é ocultando o fato de que esse processo de impeachment, na verdade, não é um processo de impeachment”. E afirmou que se trata de uma tentativa de eleição indireta de um grupo que não conseguiria alcançar seus objetivo por meio do voto direto e secreto da população brasileira.

Uma das evidências dessa conspiração, citou, é o áudio do vice-presidente “vazado” que revela os interesses reais por trás do processo. “É muito pouco usual que haja assim um vice-presidente da República”. Além disso, apontou, entre os “julgadores” do processo há os que não estão aptos a atuar neste papel, como o caso do presidente da Câmara. “Tem um retrospecto que não o abona para ser juiz de nada, abona para ser réu”.

Segunda-feira, 18 de abril de 2016 às 18:04

Dilma: “Estou tendo meus direitos torturados, mas sei que a democracia é o lado certo da história”

A presidenta demonstrou confiança em ser absolvida no Senado e se disse preparada para o “quarto turno”. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta demonstrou confiança em ser absolvida no Senado e se disse preparada para o “quarto turno”. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Em sua primeira declaração após a abertura do processo de impeachment, a presidenta Dilma Rousseff disse, nesta segunda-feira (18), em coletiva no Palácio do Planalto, que se sente injustiçada pela decisão da Câmara dos Deputados. Dilma disse que viu todas as declarações dos deputados e que nenhum deles a acusou de crime de responsabilidade.

“Não vi uma discussão sobre o crime de responsabilidade, a única maneira de se julgar um presidente da República no Brasil. Isso porque a Constituição assim o prevê. Ela prevê que é possível [o impeachment] e está escrito, mas a Constituição estipula que é necessário a existência do crime de responsabilidade para que um presidente possa ser afastado do cargo. Isso depois de receber os votos majoritários da população. Recebi 54 milhões de votos e me sinto indignada”, afirmou.

A presidenta falou também que tem certeza de que os deputados sabem que ela não cometeu crime de responsabilidade. “Além disso não há contra mim nenhuma acusação de desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, não fui acusado de ter contas no exterior.”

Dilma afirmou ainda que não vai desistir de lutar em nenhum momento e que não está em questão o seu mandato, mas sim a democracia. “Estou tendo meus direitos torturados, mas não vão matar a esperança, porque eu sei que a democracia é sempre o lado certo da história. E isso quem me ensinou foi a historia de meus País. Foram dezenas, centenas, milhares de pessoas que lutaram pela democracia.”

Sobre a continuidade do processo, a presidenta demonstrou confiança em ser absolvida no Senado e se disse preparada para o “quarto turno”, numa referência às disputas políticas que enfrenta desde sua vitória no segundo turno das eleições de 2014. Ela reclamou que o Congresso não deu trégua nos últimos 15 meses e citou, como exemplo, as chamadas pautas-bomba, que aumentariam o rombo no Orçamento em R$ 140 bilhões. “Vejam vocês que, contra mim, praticaram sistematicamente a tática do quanto pior melhor. Pior pro governo, melhor para a oposição. As pautas bombas chegaram, no ano passado, a 140 bilhões.”

Em respostas a jornalistas, Dilma afirmou que a sociedade não gosta de traidores e reclamou de como a tática foi utilizada de forma explícita dentro do seu governo. “É estarrecedor que um vice-presidente, no exercício de seu mandato, conspire abertamente contra a presidenta. Em nenhuma democracia do mundo uma pessoa que fizesse isso seria respeitada, porque cada um de nós sabe a injustiça e a dor que se sente quando se vê a traição no ato”.

Questionada a respeito de uma eventual ação contra o processo no Supremo Tribunal Federal (STF), a presidenta disse que enxerga o recurso como mais um instrumento da defesa da democracia. “Nós não vamos abrir mão de nenhum instrumento que temos para defender a democracia. Não se trata de judicializar o processo, mas de exercer, em todas as dimensões e consequências, o direito de defesa”.

Sexta-feira, 1 de abril de 2016 às 15:15

Ziraldo: Dilma é uma fortaleza

"Se cassarem Dilma, ela vai passar para a história como a Joana d’Arc, ela vai ser uma das maiores heroínas da história recente do Brasil". Foto: Blog do Planalto

“Se cassarem Dilma, ela vai passar para a história como a Joana d’Arc, vai ser uma das maiores heroínas da história recente do Brasil”. Foto: Blog do Planalto

Em entrevista ao Blog do Planalto, nesta sexta-feira (1), o cartunista Ziraldo analisa o atual momento político no Brasil, traça paralelos entre o período da ditadura e enaltece a força da presidenta Dilma, que segundo ele, está sendo “atacada e perseguida”.  Para Ziraldo, os mesmos atores que apoiaram o regime militar são os que defendem hoje o impeachement.

Ziraldo, você já viveu outros momentos parecidos com o atual, de grande agitação política. O que você está vendo agora, você já viu acontecer antes, do mesmo jeito?

Olha, a história política do Brasil, ao longo da minha vida, sofreu muitas alterações mas todas fáceis de identificar pela coerência delas. Eu fiz 18 anos em 1950 e eu comecei a viver adulto toda a metade do século 20, e venho vivendo observando o que está acontecendo muito atentamente por causa da natureza do meu trabalho de chargista e tudo mais. Depois, durante a ditadura, eu e os meus amigos fizemos um jornal, que se chamava Pasquim. Então o que eu digo é o seguinte, foi o que eu falei ontem lá no palanque da nossa manifestação, dessa data da década de 50, na morte do Getúlio, eu intuitivamente escolhi o lado que eu achava que era o lado certo da história. Eu vou permanecer ao lado do lado certo da história. Quer dizer, é uma convenção para mim. E vim coerentemente sempre desse lado. Às vezes me desesperando, às vezes cometendo erros, mas na essência eu mantive esse lado o tempo todo. E prestei atenção no outro lado que era exatamente o inverso do que eu pensava do Brasil, do que eu queria no Brasil, esse negócio todo. Então esse pessoal do outro lado eu conheço tanto quanto o pessoal do meu lado. Eu vim observando a vida deles e fiquei atento esse tempo todo, 50 anos mais 16, 66 anos que eu estou prestando atenção na história do Brasil e identificando esses dois lados. Então, nesse momento, eu chego aqui e fica claro para mim, eu percebo que os dois lados continuam os mesmos. E quem está querendo o impeachment da Dilma é o outro lado, o outro lado que eu venho observando. Não é o lado que eu venho achando que é o certo da história, são as mesmas figuras. Não são só as mesma circunstâncias não, são as circunstâncias que querem esse impeachment e são os mesmos atores. Eu acho que para continuar a viver com coerência eu tenho que me comprometer como eu sempre me comprometi. Eu estou aqui por um compromisso comigo mesmo. Não quero dar opinião sobre as coisas porque são  muito controversas. Eu não estou querendo defender minha posição, estou só explicando qual é minha posição. Eu acho que eu continuo do lado certo da história e estou observando os caras que não considero no lado certo da história, e eles estão aí, são os mesmo atores e são as mesmas circunstâncias.

Os motivos também se repetem, o motivo dessa divisão que a gente vê nas ruas do País são os mesmos?

Isso é fácil. Você pega as manifestações desde que eu entrei na dança, em 1950, é a mesma coisa, mataram o Getúlio, o Getúlio se suicidou. Quem matou o Getúlio? A carta dele explica lá qual é o lado. Apesar de ser uma ditadura ele tinha mudado a história do Brasil completamente e estava no poder eleito, ele não era mais ditador. Depois vem o golpe militar, é fácil ver qual é que era o meu lado, qual é o lado que eu não estava. Eu estava atuando no lado que eu achava certo, fazer minha revistinha do Saci Pererê, atuando politicamente. Depois, assim que a ditadura se manifestou concretamente, eu e meus amigos fundamos o Pasquim. Eu acho que o Pasquim estava do lado certo da história. Eu acompanhei toda a trajetória política do Lula e eu achei que a gente tinha avançado muito na eleição que tinha o Lula de um lado e o Fernando Henrique do outro. Eu falei: ‘puxa vida, batalhar como a gente lutou para ter essas duas pessoas como candidatos. Nunca houve uma dupla tão sensacional no mundo’. Mas depois as circunstâncias me provaram que não era bem assim. Um foi para o meu lado e o outro foi para o outro lado, está aí junto com eles. Então a história é essa. Isso deixou meu lado muito magoado. Está cheio de gente que eu esperava que permanecesse do meu lado e que está nessa jogada aí. Eu tenho pouco tempo de atuação política, estou com 84 anos, acho que depois dos 90 anos você não vai ter nem disposição para discutir. Mas enquanto eu tiver, como diria o Camões: ‘Enquanto houver engenho e arte, eu vou estar em toda parte lutando pelo que eu acredito’. Estou aqui por que eu creio que o lado certo não aceita essa coisa do impeachment, por que tem outra coisa: a República só conhece um fenômeno único na história da República no Brasil, que foi o impeachment do Collor. Então, olha, demorou mais de meio século para a República tomar essa medida drástica, profunda e que exigia muita conversa, muito debate, para poder ela ser tomada, porque era inédita. Agora, poucos anos depois, eles vão inventar impeachment de novo? O que é isso cara? Impeachment não é fácil assim não, tem que ter muita justificativa, muita prova, não é uma coisa açodada. E eu gosto de contar também outro fenômeno único na história da República, coisa que nem a ditadura militar fez, que foi mudar a Constituição para eleger o presidente que está no poder, para reeleger. Isto é a maior ofensa que a República sofreu. Nem os ditadores tiveram coragem de se manter no poder estando no poder. Esses dois fenômenos não podem se repetir, esse impeachment não pode ser tão fácil. Então eu acho que a gente tem que estar muito atento e dizer: sem uma grande discussão, profunda, sem ouvir o povo, quer dizer, se ouvir o povo até que iam discutir um pouco, porque manifestação popular é perigosa. O pessoal que quer o impeachment está orgulhoso por que botou 6 milhões, 7 milhões de pessoas na rua. Mas simultaneamente a TV Globo botou 102 milhões de eleitores no BBB. Então você não pode confiar nessa manifestação popular. Então a gente tem que ter, se você é eleito para representar o povo, tem que ter a responsabilidade que te deram. 

Acha que estão tratando de modo frívolo a democracia e os direitos sociais que foram alcançados nos últimos anos com Lula, com Dilma?

Eu falei da minha felicidade de a eleição estar com o Fernando Henrique e o Lula, quer dizer, nunca na minha época houve uma eleição que dois adversários fossem tão qualificados. A única liderança criada durante a ditadura e o pensador brasileiro que todo mundo respeitava. Não são dois frívolos, eram duas pessoas muito categorizadas. E eu acho que o que a gente avançou, se consolidou no governo do Lula. Porque primeiro o Fernando Henrique, não se pode negar, ele deu uma organizada no poder. E deixou uma herança a ser aperfeiçoada, que o Lula aperfeiçoou. Um metalúrgico aperfeiçoou. E foi o primeiro presidente que assumiu o poder no Brasil que não achava que o anterior era terra arrasada ‘e vou começar…’ Todo mundo começou da estaca zero. O Lula, que é um dos fenômenos mais fantásticos da história do Brasil, compreendeu que ele precisava, ao assumir o poder, entender tudo o que está acontecendo. E teve a humildade de dizer: ‘eu não entendo tudo, eu sei como manejar, mas eu preciso saber quem é que entende de economia. E aí fez aquela brincadeirinha de trazer o Delfim para poder orientar ele e buscar o [Henrique] Meirelles. Quer dizer, isso é de um talento absurdo. E aí ele fez depois do Juscelino [Kubitschek], por outros motivos, ele fez o melhor governo da história política do Brasil, principalmente dos que eu pude acompanhar, porque foi o primeiro governo voltado para o povo, voltado realmente para o povo. Quando ele entregou o governo para a Dilma os nordestinos estavam voltando para o Nordeste. Eu estive lá, acompanhei tudo, tinha gente que nunca tinha visto uma nota de [R$] 100 nunca tinha comido um pão. Então a história é essa, é a história que vai ser contada.

E o impeachment?

Se cassarem ela, ela vai passar para a história como a Joana d’Arc, ela vai ser uma das maiores heroínas da história recente do Brasil. Eles não perdem por esperar. Eu não vou ver, mas pode escrever. Agora eu acho, nesse momento, que não vai ser fácil assim cassar ela não. Apesar desse açodamento – é uma coisa de uma leviandade danada -, provar que é legal, que é legal todo mundo sabe, está na Constituição. Mas não é legítimo. Faltam muitas circunstâncias para você usar essa legalidade, não é fácil assim não. Eu tenho esperança, eu acredito muito no futuro do Brasil. Eu passei a vida inteira pacientemente esperando isso e acho que a gente teve vários momentos ‘agora o Brasil mudou’. Quando cassaram o Collor, agora não vai ser fácil. Agora a gente está cheio de esperança, porque é o primeiro governo que não interferiu nos outros poderes. Por que as empreiteiras ficaram com essa folga? Porque ninguém ousava mexer com eles, por que o presidente ajeitava logo, rapidamente. Não vem dizer que não ajeitava não, por que não pegaram eles? E hoje vai ser difícil a gente parar de condenar poderoso. Mas se a gente perder essa liderança, eles vão voltar todos do mesmo jeito, mas a luta é essa.

Por que o governo Dilma deve continuar?

Eu não tenho partido. Não tenho nem nunca tive, eu não sou filiado a partido nenhum. Mas a gente, o meu lado tem que começar tudo da estaca zero. O PMDB tem um slogan: “A luta continua”. Aquele slogan foi eu que desenhei, o partido não ia chamar PMDB. Eu também interferi nisso, conversando com o Ulisses [Guimarães], com o Tancredo. Porque o negócio é o seguinte: quando a gente tirou o PMDB, a luta ia continuar, então eu falei: vamos botar “a luta continua”. Agora, nós não podemos usar esse slogan porque o PMDB provou que a luta não continua. Abandonaram o barco como os ratos fazem quando o navio afunda. Mamaram a vida inteira no poder, na hora que precisou dele mesmo, todo mundo saiu. Agora tem que ver, nem todo mundo saiu. O PT sempre foi uma mãe com o coração aberto para todo mundo, cada um com seu propósito. Agora as coisas ficaram mais claras, ficou provado que eles não prestam para nada, porque agora que era a hora da luta, de dar uma arrumada no País, eles fazem um papel desse? Então nós vamos ver, tem muitas circunstâncias novas para a gente saber o que vai acontecer. Não tem ninguém, não tem futurólogo nenhum aí que pode dizer. Eu espero que, como a história do Brasil foi feita para dar certo – que esse país historicamente não era para dar certo. É só ler os livros do Laurentino Gomes para a gente ver que não era para dar certo. E misteriosamente a gente está entre as doze, treze nações mais importantes do mundo, mais poderosas do mundo, mais respeitadas do mundo, apesar desse… É só ler ‘El País’ que você fica orgulhoso de ser brasileiro, porque a paixão deles pelo Brasil e pelo Lula é uma alegria. Então vamos ver o que acontece. Eu tenho muita esperança. O único defeito é eu estar com 84 anos e ver os resultados desse embate, vai ser difícil. E como eu acho que não dá para observar lá do infinito, eu espero que meus filhos usufruam esse país melhor. Você falou de a Dilma estar sendo atacada, estar sendo perseguida, inclusive, por ela ser mulher.

Como é que ela está reagindo a isso?

Eu estive com ela ontem, foi uma audiência informal. Eu fui conversar com ela e tive uma surpresa imensa. Ela é realmente uma fortaleza. O Lula está muito mais atordoado do que ela. Foi uma conversa muito saudável e a gente falou da viagem a Bulgária, que foi um momento muito feliz no governo dela, porque a Bulgária estava orgulhosa dela. O desfile que a gente fez do aeroporto até o palácio foi de carro aberto e a multidão estava na calçada, Sófia inteira: “Dilma, Dilma!” E a pronúncia direito, “Dilma, Dilma”. ‘Eu devo estar em Belo Horizonte’. Foi uma coisa emocionante. Então a conversa foi essa, eu fiquei encantado.

Uma palavra de apoio a ela:

Tem um livro do Rubem Braga que o título é “Uma brava mulher”. Outro dia eu li um negócio do Clóvis Rossi, eu fiquei muito preocupado. O sujeito que se refere a qualquer mulher do mundo com os adjetivos que ele usou, eu começo a duvidar um pouco dele. Isso não é conversa de homem. Nenhum homem pode ser tão indelicado com uma mulher dessa maneira. Então é o seguinte: tem uma coisa qualquer, uma forma de sentimento que não é bem inveja, mas que é uma falta de respeito, ninguém, meu Deus do céu, pode dizer uma má palavra para uma mulher com a biografia da Dilma. Aquela foto dela no julgamento que os juízes estão todos lá no fundo, um com a mão na cara, outro assim é emblemática. Ela é aquela pessoa que está ali. E ela é essa mulher que eu vi no gabinete enfrentando isso e lembrando a viagem que ela fez. Uma conversa em que ela dava exemplos de figuras do Proust. Daí você vai conversar literatura com ela, você vai levar um susto. Então ninguém vê a Dilma como ser humano, acham que ela é um motor. Ela é um ser humano fantástico! Por isso que naquela cerimônia lá no Rio –  que estava o Niemeyer, estava o Chico, estava o Frei Betto, o Leonardo Boff, estava todo mundo -, quando eu fui chamado eu disse assim: “eu amo a Dilma”. Eu não teria ido com ela para a Bulgária, não. Eu acho que ela me chamou para ir porque eu disse que amava ela. Ela é uma figura histórica desse País. Ela vai passar para a história como uma figura inapagável da história brasileira.

Sexta-feira, 11 de março de 2016 às 14:59

Dilma: ‘Solicitar a minha renúncia é reconhecer que não existe base para impeachment’

"É impossível, quem me conhece, achar que, pela minha trajetória pessoal, pela minha honradez e pelo respeito que eu tenho pelo povo brasileiro, [que] eu renuncie, [que] eu me resigne”, afirmou a presidenta. Roberto Stuckert Filho/PR

“É impossível achar, pela minha trajetória pessoal, pela minha honradez e pelo respeito que eu tenho pelo povo brasileiro, [que] eu renuncie, [que] eu me resigne”, afirmou a presidenta. Roberto Stuckert Filho/PR

“Por interesses políticos de quem quer que seja, por definições de quem quer que seja, eu não sairei desse cargo sem que haja motivo para tal”, afirmou nesta sexta-feira (11) a presidenta Dilma Rousseff, em entrevista no Palácio do Planalto. Dilma afirmou que a sugestão de que ela renuncie ao cargo é um reconhecimento de que não há base legal para impeachment.

“A renúncia é um ato voluntário. Aqueles que querem a renúncia estão, ao propô-la, reconhecendo que não há uma base real para pedir a minha saída desse cargo. (…) Ou então tentem um impeachment e nós vamos disputar isso, nós vamos discutir com a sociedade e com o País inteiro: por que querem tirar um presidente legitimamente eleito? Não há nenhuma base para qualquer ato contra minha pessoa”.

A presidenta afirmou ainda não ser correto “por parte de ninguém, nenhum líder da oposição”, pedir a renúncia de um cargo de presidente legitimamente eleito pelo povo sem dar elementos comprobatórios de desrespeito à Constituição.

“Aqueles que pretendem a minha renúncia deviam proceder de acordo com a Constituição. Até porque nós vivemos num momento em que temos de preservar todas as conquistas que obtivemos”, disse. “O que essa Constituição garante? Primeiro, a independência dos poderes; segundo, o respeito ao direito de todos os cidadãos brasileiros. Se desrespeitarem o direito de uma presidente, desrespeitarão o direito de qualquer outro cidadão”.

“Não estou resignada”
Sobre os boatos que ganharam espaço na imprensa de que estaria resignada, Dilma declarou que quem a conhece jamais diria isso.

“Vocês acham que eu tenho cara de estar resignada? Que eu tenho gênio de estar resignada?”, perguntou aos jornalistas. “Eu acho que tem de ter uma certa responsabilidade da imprensa. É impossível, quem me conhece, achar que, pela minha trajetória pessoal, pela minha honradez e pelo respeito que eu tenho pelo povo brasileiro, [que] eu renuncie, [que] eu me resigne”.

E lembrou sua história de luta aos jornalistas. “Eu fui presa, eu fui torturada pelas minhas convicções. E devo ao povo brasileiro o respeito pelos votos que me deram. Eu não estou resignada diante de nada. Não tenho, não tenho essa atitude diante da vida e acredito que é por isso que eu represento o povo brasileiro, que também não é um povo resignado. É um povo lutador, combatente”.

Quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 às 13:25

Escola é o espaço mais importante para o combate ao Aedes, diz ministro da Educação

Marca BDMÉ por meio da sala de aula que será possível conscientizar a população sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti. Essa é a estratégia do Dia Nacional de Mobilização da Educação Contra o Zika, que acontece nesta sexta-feira (19) em vários municípios brasileiros. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, detalhou a ação nesta quinta (18) no programa Bom Dia, Ministro. Segundo ele, para vencer o zika é preciso fazer o estudante levar a causa para dentro da própria casa.

“A escola é o espaço, talvez o mais importante, que a gente tenha no Brasil para fazer esse combate permanente. Nós somos 60 milhões de estudantes no Brasil, professores e servidores. Através da sala de aula, a gente pode manter informada a juventude, as crianças, e ela levará para dentro de casa uma nova atitude”, afirmou o ministro.

Ministro da Educação, Aloizio Mercadante durante programa Bom Dia, Ministro. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Aloizio Mercadante durante programa Bom Dia, Ministro. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Valendo-se do período de volta às aulas, o dia será dedicado à mobilização de estudantes, professores, servidores técnicos e pais de todos os estabelecimentos de ensino do país, incluindo as 188.673 escolas de educação básica, as 63 universidades federais e os 40 institutos federais e Centros Federais de Educação Tecnológica. A expectativa é usar o alcance da rede de educação, em todos os níveis para disseminar informações sobre as formas de extermínio do mosquito e identificação da doença.

A iniciativa integra os esforços do governo federal na promoção de ações de orientação à população para o combate aos criadouros do mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus e conta com o apoio das secretarias estaduais e municipais de educação, além das Forças Armadas. A exemplo do que aconteceu no Dia Nacional de Mobilização Zika Zero, todos os ministros estarão participando da mobilização, desta vez em escolas públicas pelo País. Mercadante, por exemplo, estará em Fortaleza (CE).

Ele ressaltou a necessidade de que todos se habituem a reservar pelo menos 15 minutos por semana para não deixar “nada de água parada em casa”. “Olhar vaso, olhar pneu, olhar calha, olhar caixa d’água, fiscalizar. E quando houver algum indício fora de casa, um terreno baldio, um vizinho irresponsável, avisar a vigilância sanitária, para que a gente possa de fato erradicar o mosquito. As crianças têm o trabalho de educar os pais às vezes. É isso que nós queremos que elas façam isso e que os nossos jovens assumam essa responsabilidade. Juntos nós derrotaremos esse mosquito”, disse.

Segunda-feira, 25 de janeiro de 2016 às 10:12

Dilma: ‘Estou confiante de que a economia vai emergir ainda mais forte e competitiva’

A presidenta Dilma Rousseff afirmou, em entrevista ao jornal equatoriano “El Comercio”, que o governo está empenhado em recuperar o equilíbrio fiscal, reduzir a inflação e restaurar a confiança dos investidores, para que a economia brasileira entre em um novo ciclo de crescimento e investimento.

“Estou confiante de que a economia brasileira vai superar esses desafios e emergir ainda mais forte e mais competitiva”, declarou.

entrevista Dilma El Comercio

Detalhe da capa do jornal equatoriano “El Comercio”. Foto: Reprodução/Blog do Planalto

De acordo com ela, foram lançados programas para fazer avançar o investimento, em especial em parceria com o setor privado, como Programa de Investimento em Logística, o Programa de Investimento em Energia Elétrica e o Plano Nacional de Exportações.

Ela anotou que tudo isso está sendo feito sem descuidar dos direitos trabalhistas e sociais e as “conquistas dos últimos 13 anos”.

“Não retrocederemos em políticas bem-sucedidas de inclusão social e não descuidaremos daqueles que mais precisam. Mesmo no contexto de ajuste, mantivemos os programas sociais e os principais investimentos”.

Dilma citou como exemplos a integração e revitalização do Rio São Francisco, o programa Minha Casa Minha Vida, novas vagas em universidades, o Pronatec, o Bolsa Família e o Mais Médicos.

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