Sábado, 6 de fevereiro de 2016 às 9:10
O ativista indiano Kailash Satyarthi é reconhecido mundialmente como um dos principais porta-vozes da luta contra o trabalho infantil. Uma de suas missões, que libertou 80 mil crianças em situação de escravidão na Índia, foi reconhecida, em 2014, com o Prêmio Nobel da Paz, ao lado da paquistanesa Malala Yousafzai.
Em visita ao Brasil, o ativista participou de reuniões com ministros e autoridades. Na última quinta-feira (4), Satyarthi teve um encontro com a presidenta Dilma Rousseff para discutir novas ações contra o trabalho infantil e sugeriu que o Brasil encabece uma conferência entre os países do Brics, para debater a sustentabilidade na pauta da infância.
O indiano se declarou parceiro do País e fã das políticas públicas brasileiras de inclusão social e combate à pobreza. “O Bolsa Família não é simplesmente um programa de desenvolvimento, é a democratização do poder e o empoderamento da população pobre. Mais importante que isso, ele cria esperança na parcela mais pobre da sociedade”, disse, em entrevista exclusiva ao Portal Brasil, no Palácio do Planalto.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
- O que levou o Sr. a trabalhar com o tema do trabalho infantil?
- Kailash Satyarthi: Era muito apaixonado desde a minha própria infância sobre o assunto. Quando tinha cerca de cinco anos, vi um garoto sapateiro trabalhando no portão da minha escola. Era meu primeiro dia de escola e fiquei chocado. Perguntei aos meus professores, aos meus amigos e todo mundo disse ‘ah, são crianças pobres e estão trabalhando’, como se não tivesse nada fora do comum. Depois de uma semana, fui àquela criança sapateira e perguntei ao seu pai: “por que você não manda seu filho à escola?”. Ele respondeu que nunca tinha conversado sobre isso. Ele disse que seu pai, seu avô e ele, todos começaram a trabalhar na infância, e assim seria com seu filho. Ele disse para mim que, talvez eu não soubesse, mas eles eram obrigados a trabalhar. Essa foi a resposta dele, mas foi um desafio para mim durante toda a minha vida. Por que algumas crianças eram obrigadas a trabalhar, aos custos da sua educação, saúde, liberdade, infância e isso deveria ser aceitável? Comecei a pensar nisso e a enxergar o mundo com um olhar diferente. Fiz graduação, me tornei um engenheiro e dei aulas na universidade. Mas finalmente segui meu coração, deixei minha carreira e comecei a trabalhar com esse assunto. Foi um pouco difícil, porque não tinha exemplos no meu país para aprender a lutar. Principalmente porque ele não é, muitas vezes, visto como um problema. Mas, aos poucos, as pessoas foram enxergando essa questão não simplesmente como a pobreza, e sim a negação de direitos, dignidade e liberdade. Isso não é negociável.
- Quais iniciativas brasileiras considera exitosas no combate ao trabalho infantil?
- Satyarthi: Penso que a iniciativa mais bem-sucedida, definitivamente, é o Bolsa Família, porque junta diferentes aspectos da infância. Desse modo, a criança não é vista isoladamente. Ela é vista como parte de uma família. A educação, a saúde, a erradicação da pobreza e má nutrição, tudo isso é contemplado em um só programa, e é muito impressionante – e isso tudo condiciona a transferência de renda. Aquele dinheiro é dado às mães de filhos que estão indo à escola e os que estão recebendo atenção de saúde. O Brasil tem uma legislação muito mais progressista contra o trabalho infantil e trabalho forçado do que os padrões internacionais. O Brasil dá exemplo nesse quesito e deve ser seguido por outros países.
- O Sr. acredita que iniciativas parecidas podem ser utilizadas em países semelhantes ao Brasil, como a própria Índia?
- Satyarthi: A Índia também tem esse problema, mas nós tivemos progresso ao longo dos anos. Não é só o crescimento da economia, tecnologia de informação e engenharia. É igualmente importante o fato de termos constituído o direito legal à educação. Temos leis específicas para garantir educação gratuita para todas as crianças. E pudemos assistir à redução do trabalho infantil de 12,5 milhões de crianças, há dez anos, para cerca de quatro milhões agora. Houve progresso, mas esses países como a Índia, Brasil, África do Sul, Rússia, todos esses países do Brics e semelhantes, têm demonstrado liderança em diversas formas. Apesar de todas as dificuldades e desafios que eles têm enfrentado por dentro e fora, suas vozes agora são ouvidas. E eles deveriam tomar a liderança e mostrar a todo o mundo que conseguimos achar soluções. Mas é necessário demonstrar suas práticas, garantir que elas funcionem de forma adequada, para mostrar que os problemas relacionados à infância estão resolvidos e serem modelos para todo o mundo. Eles devem ser os porta-vozes para o resto do planeta e falarem alto: priorizem as crianças, gastem mais verba com a infância e a educação infantil, garantam sua proteção e saúde, e as políticas serão mais integradas.
- O Sr. elencou o Bolsa Família como sendo a principal política pública brasileira contra o trabalho infantil. O programa é alvo de muitas críticas no País. Por que você acha que essas críticas existem?
- Satyarthi: Qualquer tentativa de mudar o status quo da sociedade sempre irá encarar críticas. O criticismo contra o Bolsa Família não é uma coisa nova. Aqueles que sentem que controlam o poder das terras, o poder do dinheiro e o poder do lucro se sentem ameaçados. Porque agora, com o Bolsa Família, o poder está sendo descentralizado. O Bolsa Família não é simplesmente um programa de desenvolvimento, é a democratização do poder e o empoderamento da população pobre. Mais importante que isso, ele cria esperança na parcela mais pobre da sociedade. Eles se sentem empoderados e algumas pessoas não gostam disso.
Imprima:
Domingo, 15 de novembro de 2015 às 10:56

Líderes dos Brics se comprometem a fortalecer cooperação na luta contra o terrorismo Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Ainda sob a sombra dos ataques em Paris, os chefes dos países dos Brics condenaram os atentados e reafirmaram o apoio ao povo e ao governo da França e aos esforços para levar os responsáveis à justiça, após reunião na manhã deste domingo (15). Segundo nota oficial do Itamaraty, os líderes reiteraram “o compromisso de fortalecer a cooperação entre os países do Brics e com outras nações na luta contra o terrorismo”.
Antes de participar da reunião de dirigentes do G20, que começa neste domingo na cidade turca de Antália, a presidenta Dilma Rousseff; os presidentes da China, Xi Jiping; da Rússia, Vladimir Putin; da África do Sul, Jacob Zuma, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, governantes dos grandes países emergentes do grupo Brics realizaram encontro para coordenar suas posições na cúpula.
No encontro, segundo nota, ressaltaram a “importância de fortalecer a parceria estratégica do Bloco, baseada nos princípios de abertura, solidariedade, igualdade, entendimento mútuo, inclusão e cooperação mutuamente benéfica e enfatizaram a determinação em continuar a trabalhar juntamente com outros membros do G20 para contribuir de forma contínua a uma recuperação mais rápida e sustentável da economia global e para a redução de riscos potenciais”.
O texto enfatiza também o progresso significativo de 2015 no avanço da cooperação intra-Brics. O destaque é a implementação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que entrou oficialmente em operação em julho deste ano, logo após a VII reunião de Cúpula do grupo em Ufa, na Rússia. A entidade terá como objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos cinco países integrantes e em outros países pobres e em desenvolvimento. A expectativa é que as primeiras operações ocorram no início de 2016.
Além disso, o Arranjo Contingente de Reservas (ACR) do Brics foi estabelecido e contribuirá para a estabilidade do sistema financeiro internacional, tendo em vista a maior volatilidade da situação financeira e econômica mundial.
“Os líderes concordam que a economia global ainda está em risco e que sua recuperação ainda não é sustentável, o que realça a importância do fortalecimento da coordenação e da cooperação em políticas macroeconômicas entre os membros do G20 para evitar repercussões negativas e de modo a lograr crescimento forte, equilibrado e sustentável”.
Para contribuir de forma contínua para recuperação mais rápida e sustentável da economia global e para a redução de riscos potenciais, os presidentes do Bloco se comprometeram a continuar a trabalhar em conjunto com os outros membros do G20 e em concentrar os esforços na implementaçao de suas respectivas estratégias nacionais de crescimento.
FMI
No texto conjunto, as autoridades dos Brics expressaram “profundo desapontamento” diante da falta de progresso na modernização de instituições financeiras internacionais, especialmente nos acordos relativos à reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os países do bloco solicitaram ao FMI “intensificar esforços, em colaboração com o G20, para encontrar soluções que por fim tornariam possível o incremento dos recursos oriundos de quotas da instituição, bem como a revisão da distribuição das quotas e dos votos em favor de países em desenvolvimento e economias emergentes”.
Tags:
atentados em Paris,
brics,
cúpula,
Dilma Rousseff,
economia global,
FMI,
G20,
Novo Banco de Desenvolvimento,
países emergentes,
terrorismo,
Turquia
Imprima:
Domingo, 15 de novembro de 2015 às 9:37

Presidenta Dilma classifica como atrocidade os ataques terroristas de Paris. Foto: Ana Carolina Melo/Blog do Planalto
A presidenta Dilma Rousseff abriu seu discurso na reunião de líderes dos Brics, na manhã deste domingo (15), reiterando seu repúdio pelos ataques terrorista ocorridos em Paris na última sexta-feira.
“Essa atrocidade torna ainda mais urgente uma ação conjunta de toda comunidade internacional no combate sem tréguas ao terrorismo”, disse a presidenta em Antália, na Turquia.
Para Dilma, o grupo dos Brics (que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) teve resultados “muito expressivos” como a concretização do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contigente de Reservas, que, segundo ela, devem impulsionar a ampliação da agenda de cooperação e a consolidação da parceria econômica do bloco.
“Nossos países estão comprometidos a trabalhar pela redução dos riscos que a economia global continua a enfrentar”, destacou a presidenta.
Dilma enfatizou que a coordenação brasileira no G20 continuará a priorizar os investimentos em infraestrutura, a redução da volatilidade dos mercados globais, a necessidade de reforma das instituições financeiras e o combate à pobreza e às desigualdades como temas importante para os países em desenvolvimento.
Dilma ressaltou ainda que o grupo dos Brics “continuará a ser uma força positiva para a retomada do crescimento global nos próximos anos”.
Para isso, ela reforçou o empenho de tornar realidade os compromissos da reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), assumidos em 2010, em prol de uma governança econômico-financeira global mais equilibrada e representativa, com maior participação dos países emergentes e em desenvolvimento.
Tags:
África do Sul,
Antália,
ataques terroristas,
Brasil,
brics,
Dilma Rousseff,
economia global,
FMI,
G20,
repúdio,
Rússia,
Turquia
Imprima:
Domingo, 15 de novembro de 2015 às 6:03
Neste domingo (15), a presidenta Dilma Rousseff cumpre extensa agenda na Cúpula do G20, em Antália, na Turquia. Todos os compromissos estão no horário local de Antália, quatro horas a mais em relação a Brasília.
Às 10h, a presidenta se reúne com os líderes dos BRICS, no hotel Maxx Royal, Centro de Convenções.
Na parte da tarde, às 13h, ela participa da cerimônia de Boas Vindas à Cúpula do G20, no salão principal do hotel Regnum Carya.
No mesmo local, às 13h15, participa da fotografia oficial. Em seguida, às 13h30, a presidenta terá almoço de trabalho, oferecido pelo Presidente da República da Turquia, RecepTayyip Erdogan, na sala adjacente da Summit Plenary Room.
Depois disso, às 15h30, Dilma participa da primeira sessão de trabalho da Cúpula do G20, na Summit Plenary Room.
À noite, às 19h15, a presidenta segue para a recepção oferecida pelo Primeiro-Ministro da República da Turquia, Ahmet Davutoglu, e Senhora Sare Davutoglu, no primeiro andar do hotel.
Às 20h30, Dilma encerra os compromissos no jantar de trabalho oferecido pelo Presidente da República da Turquia, Recep Tayyip Erdog, na sala adjacente ao Summit Plenary Room.
*Agenda sujeita a alterações ao longo do dia. Para atualizações, acesse o Portal do Planalto.
Imprima:
Sábado, 14 de novembro de 2015 às 16:17
A presidente Dilma Rousseff chegou à Turquia, neste sábado (14), onde participa da 10ª Cúpula de chefes de Estado do G20, que será realizada nos dias 15 e 16 de novembro, domingo e segunda-feira. Ela desembarcou no aeroporto internacional de Antalya, às 11h30 (horário local, 7h30 de Brasília), onde foi recebida por autoridades do governo turco.
A cidade é o principal centro turístico do país. Hoje, a presidenta participa de um jantar, oferecido aos líderes do grupo, pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan.
O Brasil, na condição de um dos maiores exportadores de setor agropecuário do mundo, apresentará, na cúpula, uma proposta aos líderes do G20 para que os países ricos não aumentem os subsídios domésticos e de exportação para produtos agrícolas, conforme adiantou o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey. Entre os temas oficiais do encontro está inclusão e investimento.
Dos 20 chefes de Estado do grupo, apenas o presidente francês, François Hollande, não participará da cúpula de Antalya, por causa dos atentados terroristas ocorridos em Paris, na sexta-feira (13), que deixaram dezenas de mortos e feridos.
Antes de viajar, na sexta-feira, a presidenta manifestou, por meio do Twitter, repúdio, seu repúdio à violência e prestou solidariedade ao povo e ao governo da França. E neste sábado, Dilma enviou uma carta de solidariedade a Hollande, classificando os atos terroristas de “covardes“.
A presidenta Dilma participa neste domingo (15),de manhã, antes da reunião do G20, de uma cúpula de presidentes do chamado grupo dos Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Imprima:
Sábado, 14 de novembro de 2015 às 12:31
As primeiras operações do Banco dos Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, devem acontecer no início de 2016, afirmou o subsecretário-geral de assuntos econômicos financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey.
Em entrevista ao Blog do Planalto, o embaixador informou que uma equipe já trabalha em Xangai (China) – onde será a sede da entidade – preparando as políticas básicas da instituição. Segundo ele, a previsão é que a capitalização do banco ocorra até janeiro do ano que vem.
“O acordo entrou em vigor na metade do ano [2015]. E agora já existe uma equipe contratada, atuando lá em Xangai, preparando as políticas básicas do banco necessárias para que ele entre em funcionamento. A capitalização do banco deve ocorrer até janeiro. No início do ano que vem devem ser feitas as primeiras operações”, adiantou.
O embaixador também informou que os presidentes dos Brics se reúnem novamente na manhã deste domingo (15) em Antália, na Turquia, poucas horas antes do início da X Cúpula do G20, grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia.
De acordo com Conzendey, neste encontro os cinco integrantes dos Brics aproveitam para trocar avaliações e alinhar posições sobre os temas do G20, além de avaliar o andamento das iniciativas de cooperação dentro do bloco. Neste sentido, o embaixador citou iniciativas como o próprio Banco dos Brics e o acordo de contingente de reservas, assinado pelos cinco países em julho do ano passado, em Fortaleza, e que permitirá o socorro financeiro mútuo para sanar problemas ou flutuações no balanço de pagamentos de qualquer dos integrantes.
Banco dos Brics – O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), nome oficial do Banco dos Brics, entrou oficialmente em operação em julho deste ano, logo após a VII reunião de Cúpula do grupo em Ufa, na Rússia. A entidade terá como objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos cinco países integrantes e em outros países pobres e em desenvolvimento.
Imprima:
Sábado, 14 de novembro de 2015 às 9:01

Dilma foi recebida por autoridades turcas e brasileiras, em sua chegada à Turquia, na manhã deste sábado (14). A partir de amanhã, a presidenta participa de reunião dos Brics e da Cúpula do G20. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff chegou na manhã deste sábado (14) a Antália, na Turquia, onde participa a partir deste domingo (15) da X Reunião de Cúpula do G20, grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia.
Neste domingo, antes da reunião do G20, Dilma se reúne com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; da África do Sul, Jacob Zuma e com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi para encontro dos Brics.
Imprima:
Sexta-feira, 13 de novembro de 2015 às 21:59

Roberto Menezes: “Ascensão, nos últimos anos, de países como o Brasil, a China e a Índia fizeram que o ambiente central de decisão econômica internacional saísse dos tradicionais G7 e G8″. Foto: Blog do Planalto
Desde a crise internacional de 2008, o G20 se tornou o principal fórum de discussão para as grandes questões financeiras e econômicas internacionais. É o que afirma o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (Unb), Roberto Goulart Menezes.
De acordo com o professor, em um mundo cada vez mais marcado pelo multilateralismo, a ascensão, nos últimos anos, de países como o Brasil, a China e a Índia fizeram que o ambiente central de decisão econômica internacional saísse dos tradicionais G7 e G8 para um organismo mais compatível com a atual configuração de forças globais.
“Não há dúvidas de que o G7 perdeu esse espaço como o ‘locus’ central de decisão para as grandes questões econômicas do mundo”,afirmou em entrevista ao Blog do Planalto.
Criado em 1999, após a crise da Ásia que atingiu as grandes economias exportadores do continente, o Grupo dos 20 (G20) passou a reunir os 19 países com maior PIB do mundo e a União Europeia.
“O fórum foi criado para buscar coordenar posições dentre as principais economias globais que, juntas, reúnem 80% do PIB do mundo”, explicou o professor.
É nesse ambiente que a presidenta Dilma Rousseff se reúne a partir deste final de semana com as principais lideranças internacionais em busca de saídas para a crise que atinge o Brasil e a maior parte das economias do mundo.
“A importância da participação do Brasil no G20 neste momento é a de buscar construir saídas para a crise que sejam benéficas para países do seu perfil. Construir saídas para a crise significa construir novas regras do jogo como, por exemplo, na questão do protecionismo comercial. Sempre que temos uma crise é esperado que os países se retraiam mais e, com isso, o nacionalismo econômico volte a falar mais alto”, ponderou.
Exemplo disso é que neste final de semana o Brasil defenderá na reunião de Cúpula do G20 que os países do bloco assumam o compromisso de não aumentar os subsídios para produtos agrícolas em meio ao chamado fim do superciclo das commodities, responsável pela queda internacional dos preços de matérias-primas e que atingiu, sobretudo, os países mais dependentes da exportação de produtosagrícolas.
Como destaca o professor Menezes, se as origens da crise financeira de 2008 já são um consenso entre os países, os meios para superá-la não o são. “É aí que, novamente, o jogo de forças político, econômico e geopolítico volta a contar de maneira crucial”, acrescentou.
Brasil
Sétima economia do mundo e maior economia da América Latina, o Brasil ocupa uma posição importante dentro do G20, sobretudo pela influência que exerce na América do Sul, explica o professor da Unb. Brasil e Argentina são os únicos representantes sul-americanos no grupo.
“Na reunião do G20 o Brasil busca coordenar posições com países como China, Argentina, Turquia e, certamente, com seus parceiros do Brics. Não necessariamente os Brics vão conseguir criar uma posição de consenso em todas as pautas. Mas eles vão tentar coordenar suas agendas e naqueles pontos que coincidem vão procurar trabalhar em bloco”.
Prova disso é que antes do início da reunião do G20, na manhã deste domingo (15), os presidentes dos cinco países que compõem os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reúnem em Antalia, na Turquia, para alinhar posições.
Temas de discussão
Tema já confirmado para a reunião deste domingo, a crise dos refugiados que atinge o Oriente Médio, o norte da África e a Europa será trazido pela Turquia para a cúpula do Grupo dos 20.
“A Turquia tem todo o interesse em incluir esse tema na discussão, porque dos quatro milhões de refugiados sírios que chegaram à Europa, dois milhões estão na Turquia. Então, os turcos têm todo o interesse em incluir esse debate”, afirmou.
Além disso, o professor destacou como temas que certamente virão à tona na cúpula a crise bancária chinesa e a questão ambiental, que interessa diretamente ao Brasil. Nesse sentido, ele lembrou que logo depois do G20, os líderes internacionais voltam a se reunir em Paris, para a Cúpula do Clima, a Cop 21.
“A questão ambiental é um tema chave para a economia global e muitas vezes utilizada como mecanismo de protecionismo”,contextualizou.
Busca por parcerias e diversificação de mercados
Além disso, o professor Roberto Menezes ressalta que, no G20, interessa ao Brasil reforçar suas parcerias estratégicas e seu potencial de ser reconhecido como um parceiro chave em um mundo marcado cada vez mais pelo multilateralismo e pelas múltiplas parcerias. E acrescenta, que de acordo com o tema – como no caso das questões ambiental e a energética – o Brasil é visto sim como um país crucial dentro do cenário internacional, além de possuir a confiança de diversos países dentro e fora de sua região.
Outro ponto importante destacado pelo professor é que o Brasil tem buscado, dentro do cenário e dos fóruns internacionais, reverter a retração que sofreu em suas exportações, no último ano, em função da redução da compra de commodities pela China, que era o principal destino das exportações brasileiras. “A economia chinesa retraiu, o que fez o Brasil também sentir em suas exportações. Mas o Brasil tem procurado reverter esse cenário”,
Ele destacou iniciativas por meio das quais o governo brasileiro tem se empenhado em promover a diversificação de seus mercados, como o esforço que tem sido feito pela presidenta Dilma para que o Mercosul apresente uma proposta consensual de acordo comercial com a União Europeia, até o final deste ano, e a busca pela renovação de acordos de complementação econômica, como os assinados recentemente com o México e Colômbia. “O Brasil não está parado”, salientou.
Tags:
África do Sul,
América do Sul,
América Latina,
Brasil,
brics,
China,
G20,
Índia,
Roberto Goulart Menezes,
Rússia,
Turquia
Imprima:
Terça-feira, 18 de agosto de 2015 às 11:48
Imprima:
Domingo, 12 de julho de 2015 às 22:34
Imprima: