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Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 às 20:15

Íntegra da entrevista da presidenta após entrega de credenciais a embaixadores estrangeiros

Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 às 20:12

Íntegra – Entrevista coletiva da entrega das credenciais dos embaixadores estrangeiros

Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 às 13:25

Não haverá flexibilização das leis trabalhistas, garante Dilma

Ainda na conversa com jornalistas nesta sexta-feira (20), a presidenta Dilma Rousseff garantiu que o governo não reduzirá ou flexibilizará os direitos trabalhistas. Ela usou o exemplo dos ajustes na base de beneficiários do Bolsa Família para explicar a correção de distorções em benefícios sociais como o seguro-desemprego, abono doença, abono salarial e pensão por morte. Para a presidenta, a questão em curso se trata de aperfeiçoar a legislação para manter o benefício a quem realmente precisa.

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“No ano passado nós tiramos quase 1,3 milhão de pessoas do Bolsa Família. Por quê? Porque tinha havido uma melhoria da renda que desenquadrava essas pessoas daquele programa. Outras pessoas entraram, essas saíram. Qualquer programa social que não seja criteriosamente gerido e você olhe, sistematicamente, como é que ele está funcionando, é mal sucedido. Todas as medidas que nós tomamos, elas têm um objetivo. Estou falando daquelas que dizem respeito a seguro-desemprego, abono doença, abono salarial, a pensão por morte… Nós estamos aperfeiçoando a legislação porque a legislação tem que ser aperfeiçoada da mesma forma como nós fizemos com o Bolsa Família.”

Questionada sobre a possibilidade de negociar as medidas propostas, a presidenta disse que a negociação continua, uma vez que em uma democracia existe diálogo com a população e com o parlamento. Mas reafirmou que são necessários argumentos da parte de quem questiona as medidas que foram tomadas para garantir a saúde dos fundos e benefícios que defendem os trabalhadores.

“Eu acho que sempre há negociação, ninguém acha que em um país democrático como o Brasil que tem um Congresso livre, que tem movimentos sociais sendo ouvidos e com os quais você dialoga, não seja algo fechado, que não há negociação. Sempre há negociação, mas também há posições claras. Só ser contra por ser contra, não. Só ser a favor por ser a favor, também, não. Então com argumento e com fundamentos, você chega sempre a uma boa solução.”

Correção na tabela do IR
Sobre a correção na tabela do Imposto de Renda para Pessoa Física, Dilma respondeu que seu compromisso é com o reajuste de 4,5%, por isso vetou o valor de 6,5%, pois este não caberia no orçamento.

“Nós não estamos vetando porque queremos, nós estamos vetando porque não cabe no orçamento público. Eu vetei porque não tem recurso para fazer. Então, é essa a questão, o meu compromisso é 4,5%. Se por algum motivo não quiserem os 4,5 nós vamos ter que abrir um processo de discussão novamente”, ponderou.

Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015 às 14:00

Ações em educação garantem pleno desenvolvimento intelectual dos jovens

Com informações da revista O Brasil Mudou

A habilidade para desenhar despertou na estudante carioca Andressa Leal Mendes, 15 anos, o interesse pela arquitetura. “Vejo na televisão o que os arquitetos fazem numa casa e digo pra mim mesma: um dia vou conseguir fazer melhor”, planeja. Estudiosa, organizada e detalhista, a adolescente de Nova Iguaçu (RJ) gosta de matemática e é apaixonada pela leitura. Toda a semana retira um livro na biblioteca. Após o horário escolar, Andressa se dedica à oficina de fotografia oferecida. Ela é destaque na turma.

Escola integral, motivação e incentivo da mãe conduzem Andressa Leal para o sonho da universidade. Foto: divulgação MDS

Escola integral, motivação e incentivo da mãe conduzem Andressa Leal para o sonho da universidade. Foto: divulgação MDS

Andressa cursa o 9º ano no Centro Integrado de Educação Pública Ministro Salgado Filho, que oferece aulas em período integral pelo programa Mais Educação. A estratégia faz parte do Plano Brasil sem Miséria e garante às escolas o aumento da jornada em até sete horas diárias. No país, 35,7% das escolas que participam do programa têm maioria de alunos beneficiários do Bolsa Família. No contraturno, os alunos conciliam as disciplinas do currículo escolar e atividades esportivas e culturais.

A cada dia na escola, a menina vem traçando um futuro diferente do de sua mãe, Aline da Silva Leal, 31 anos. A vendedora ambulante precisa do programa Bolsa Família para ajudar no sustento de Andressa e suas duas irmãs. A infância foi difícil. Aos seis anos, foi obrigada a vender doces na rua sozinha para ajudar em casa. O sacrifício a impediu de frequentar a escola. “A primeira vez em que pisei numa sala de aula, na minha vida, foi para participar de uma reunião de pais”, relata.

Aline aprendeu sozinha o pouco que sabe sobre ler e escrever. Ela lamenta nunca ter auxiliado as meninas nas tarefas escolares. “Não posso ajudar, mas estimular sim.” E completa: “Não quero filho meu na rua trabalhando. Posso me apertar um pouco, mas meus filhos têm que estar na escola para ter oportunidades.” Andressa se emociona com as palavras da mãe e diz que, ao pensar no que ela passou, tem mais motivação para estudar. “Não quero essa vida para mim.”

Estudar para superar
A assiduidade na escola e as aulas em tempo integral contribuem para a redução das diferenças no aprendizado de crianças e jovens mais pobres. Os dois fatores vêm se mostrando uma importante combinação para interromper a miséria entre as gerações.

Indianara Vargas (esquerda) aproveita o contraturno da escola em Novo Hamburgo para aprender música. Foto: divulgação MDS

Indianara Vargas (esquerda) aproveita o contraturno da escola em Novo Hamburgo para aprender música. Foto: divulgação MDS

Entre 2002 e 2012, a defasagem idade/série entre os alunos 20% mais pobres caiu de forma notável em decorrência da exigência de frequência às aulas. Em 2012, menos da metade dos estudantes de 15 anos desta faixa de renda ainda registrava defasagem. Dez anos antes, esse percentual beirava 70%.

Os alunos do Bolsa Família estão presentes em 80% das escolas públicas de educação básica, o que representa aproximadamente 160 mil escolas e abrange cerca de 30% das matrículas. O Censo Escolar de 2013 mostrou crescimento de 139% no número de estudantes matriculados em tempo integral: de 1,3 milhão em 2010 para 3,1 milhões em 2013.

Quando mudou de escola no início do ano, Indianara Beloto de Vargas, 13 anos, desconhecia o timbre da escaleta, instrumento de sopro com um pequeno teclado análogo ao do piano. Não sabia também que a nova escola – a Senador Alberto Pasqualini, em Novo Hamburgo (RS) – tinha uma banda marcial.

Uma amiga foi quem a convidou para participar das aulas da banda no contraturno da escola. Contou, com orgulho, que memorizou o Hino Nacional em apenas duas horas. “Basta se empenhar para aprender”, diz a garota. “Nada é difícil.”

Questionada sobre o que mais gosta de estudar, ela responde prontamente: “Adoro matemática.” Indianara quer ser arquiteta, mas não descarta a possibilidade de ser jogadora profissional de handebol, outra atividade que pratica por meio do Mais Educação.

A universidade é só o começo
A ex-beneficiária do Bolsa Família Ethiene Wenceslau conquistou uma vaga no concorrido curso de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Aos 22 anos, moradora da Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, está no sétimo semestre.

Ethiene Wenceslau estuda direito no Rio de Janeiro. É a primeira da família a chegar à universidade. Foto: divulgação MDS

Ethiene Wenceslau estuda direito no Rio de Janeiro. É a primeira da família a chegar à universidade. Foto: divulgação MDS

“Quando você tem um objetivo, você faz de tudo para alcançá-lo”, diz a jovem que foi a primeira na família a entrar na universidade. A mãe deixou os estudos no ensino fundamental e o pai tentou cursar enfermagem, mas “parou no meio do caminho.”

Na comunidade onde vive, cinco amigos entraram na faculdade na mesma época também pelo sistema de cotas. “Um tempo atrás, não teria nenhum”, pondera.

Para ingressar na faculdade, Ethiene enfrentou uma rotina exaustiva no último semestre do ensino médio. Precisou conciliar diariamente a escola pela manhã, o estágio obrigatório à tarde e as aulas em um pré-vestibular social à noite. Conseguiu desconto integral em um curso preparatório particular, que frequentava todos os sábados das 8h às 17h.

Atualmente, faz estágio e recebe R$ 1,2 mil. Ela diz que se sente feliz em conseguir cumprir, pouco a pouco, as metas que estabeleceu, mas ainda tem muitos planos. Quer ter tempo para fazer um curso de francês, comprar uma casa em um lugar melhor para a mãe e deseja conhecer a Europa, “mais por conta da França, que é o meu sonho.”

Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 às 11:00

Programas sociais impulsionam economia de pequenos municípios em todo o País

Da revista O Brasil Mudou 

Quando eu era pequeno, muitas vezes só tinha o beiju para levar para a escola. Eu comia antes de chegar lá, para não deixar que a criançada ‘mangasse’ de mim. Tinha medo dos outros, passava vergonha”, lembra o barbeiro Duval Pereira, de 65 anos. Duval é casado, pai de quatro filhos e mora há 60 anos em Pedra Branca, uma pequena cidade do Vale do Piancó, região pobre e seca do sertão paraibano, a quase 400 quilômetros da capital, João Pessoa.

Ele conta a história emocionado, com voz embargada. O beiju de que falou é uma massa de milho, que servia para alimentar os animais e também as crianças, no passado. Duval foi agricultor durante toda a vida, como o pai e seus antecessores. Aposentou-se e montou uma pequena barbearia ao lado da praça da igreja, onde cobra R$ 1 ou R$ 2 pelo corte de cabelo.

"Hoje, ninguém mais vai embora para procurar emprego. Aqui tem trabalho," afirma o barbeiro paraibano Duval Pereira.

“Hoje, ninguém mais vai embora para procurar emprego. Aqui tem trabalho,” afirma o barbeiro paraibano Duval Pereira. Foto: Sérgio Amaral/ MDS.

A praça é símbolo da mudança que a cidade de menos de cinco mil habitantes viveu nos últimos anos. Todas as noites, os jovens se encontram no local para aproveitar a rede Wi-Fi grátis e se conectar ao mundo, por meio da internet, a partir dos celulares.

Pedra Branca, como centenas de municípios brasileiros, vive hoje uma nova realidade, impulsionada pela implantação de programas sociais do Governo Federal, integrados e articulados entre si. Enquanto na Paraíba o Bolsa Família é o vetor central da mudança, em Itanhaém, cidade praiana e turística do litoral Sul de São Paulo, com cerca de 95 mil habitantes, a mudança partiu da agricultura, com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Duval é taxativo: “O Bolsa Família é muito bom. Não é muito dinheiro, mas aqui ajuda muito o pessoal todo. Hoje ninguém vai mais embora daqui para procurar emprego. Aqui tem trabalho”, reforça.

Ele lembra também a infância difícil, sofrida com a estiagem. “O primeiro sapato que eu botei no pé foi com 17 anos, emprestado de um vizinho”. Duval, seu pai e seus oito irmãos muitas vezes trabalhavam em troca de milho ou feijão.

Uma realidade parecida foi relatada por Ivan de Souza, 38 anos, enquanto o barbeiro o atendia. “Aos oito anos, eu já trabalhava na roça, com meu pai. Três dias na nossa roça e três dias ‘alugados’. A gente cuidava do algodão dos donos de terra. Eles nos pagavam em milho. Nossa comida era milho com leite e pão com leite”. Hoje, sua família tem outra vida. Ele planta e trabalha numa oficina de motos e bicicletas. A família é beneficiária do Bolsa Família. Ivan faz questão de que os três filhos, de 15, 11 e 8 anos, estudem. “Meus meninos nunca precisaram pegar numa enxada”, orgulha-se.

O Bolsa Família também ajudou muito a família de Cícero e Maria Ledriana Silva. Agricultores, eles recebem o benefício há nove anos: os atuais R$ 119 complementam a renda da família. “O dinheiro sempre ajudou muito. Um pouco para a feira, para comprar um chinelo, uma roupa, um remédio às vezes, um livro que precisa para escola ou até para tirar xerox”, conta Ledriana.

Há um ano, o casal montou uma horta no meio do sertão, que recebe água de um poço perfurado por eles. Começaram produzindo cebolinha, que hoje vendem para a prefeitura: R$ 60 por mês. “Vamos começar a vender para o PAA também”, contou sorridente Ledriana, prevendo um ganho de mais de R$ 500 por mês.

Beneficiários do Bolsa Família, os agricultores Cícero e Maria Ledriana montaram uma horta no meio do sertão e hoje já estão vendendo o excesso da produção.  Foto: Sérgio Amaral/MDS

Beneficiários do Bolsa Família, os agricultores Cícero e Maria Ledriana montaram uma horta no meio do sertão e hoje já estão vendendo o excesso da produção. Foto: Sérgio Amaral/MDS

“Estamos ampliando”, destacou Cícero. “Plantamos também coentro, berinjela, pimentão, pimenta de cheiro, abobrinha e quiabo. Tem mamão para comermos em casa, mas quando tem bastante, a gente ainda vende. Tudo natural”. O produtor explica que aprendeu muita coisa com o pai. “Ele sempre trabalhou pros outros e me levava junto. Por isso, não estudei. Aprendi também com programas de TV. E, sempre que eu preciso de algo, peço pro meu filho pesquisar para mim na internet”, conta.

O filho mais velho, diz com orgulho, acaba de entrar no curso de Administração da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. “Passou, entre os colegas de escola, em 1º lugar no Enem”, comemora Ledriana. O dinheiro vindo do PAA vai ajudar os estudos, explica Cícero. “Meus filhos agora vão precisar ainda mais de minha ajuda, porque estão indo para a faculdade”.

Em Igaracy, cidade vizinha a Pedra Branca com pouco mais de 6 mil habitantes, o comerciante Whellington da Costa, 45 anos, é um entusiasta das mudanças positivas que a região viveu na última década. “Meu pai já era comerciante aqui. E, quando dava seca, o pessoal vinha para quebrar o comércio, ficava todo mundo aflito”, lembra. A seca atual durou mais de dois anos e foi uma das piores desde 1932. “Não tivemos problema”, destaca, ao apontar algo que muitos nas cidades da região relatam. “Não há mais saques. Hoje todo mundo tem seu ganho”.

Dono de duas lojas na praça central – uma de pequenos equipamentos e suprimentos agrícolas e outra de eletrodomésticos –, Whellington conta que não há mais miseráveis na cidade. Para ele, o Bolsa Família é essencial para municípios como Igaracy, com pouca dinâmica econômica própria. “Nas cidades pequenas, se não tivesse a ajuda do governo federal, não existia nem comerciante. O pessoal recebe o Bolsa Família e vem comprar. Compra fiado também, em 30 dias vêm e pagam, sem problema”, destaca.

Para o comerciante Whellington Costa, o Bolsa Família é fundamental para municípios com baixa dinâmica econômica. Foto: Sérgio amaral/MDS

Para o comerciante Whellington Costa, o Bolsa Família é fundamental para municípios com baixa dinamia econômica. Foto: Sérgio Amaral/MDS

A filha mais velha do comerciante estuda na capital do estado. Está terminando o ensino médio e quer estudar Medicina. “Ela vai pegar o Fies  (Financiamento Estudantil) para poder estudar”. Os dois outros filhos moram em Igaracy. Todos estudam e têm transporte garantido para a escola. “Antigamente, o pessoal da zona rural vinha em cima de carro, acontecia muitos acidentes. Hoje andam de ônibus, aqueles amarelinhos com faixa preta, em uma estrada boa, que foi asfaltada em 2010”, conta o comerciante, referindo-se aos ônibus do programa Caminho da Escola, do Ministério da Educação.

Ele ainda lista outras importantes ações do governo federal na região: uma nova escola está em fase final de construção, casas foram entregues pelo Minha Casa Minha Vida, a prefeitura recebeu máquinas para apoiar a produção, como retroescavadeira, caçamba e patrola, e uma adutora foi inaugurada. Sua cidade mudou.

Terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 às 17:30

Depois de curso do Pronatec, Simone Vieira consegue emprego e deixa o Bolsa Família

Da revista O Brasil Mudou

Ex-beneficiária do programa Bolsa Família, Simone Nunes Vieira, de 30 anos, é hoje um exemplo de que, com a ajuda de ações e programas sociais do governo federal e força de vontade, é possível crescer e ainda ter expectativa de ir mais longe.

Ela faz parte de uma das 1,7 milhões de famílias que já deixaram o Bolsa Família voluntariamente – foram às autoridades e pediram para sair – porque não precisavam mais da ajuda do Governo. O principal motivo para o desligamento é a melhoria da renda dessas famílias.

“Antes, queria comprar uma roupa para os guris e não podia", contou Simone. Foto: divulgação MDS

“Antes, queria comprar uma roupa para os guris e não podia”, contou Simone. Foto: divulgação MDS

Além disso, desde 2003 – quando o Bolsa Família foi criado – 1,1 milhão de beneficiários foram desligadas do programa por falta de recadastramento e nunca mais retornaram.

Gaúcha do pequeno município de Camaquã (RS), a 30 quilômetros de Porto Alegre, Simone trabalhou na roça quando criança. A vida difícil no campo a impediu de terminar os estudos. Teve três filhos. A oportunidade de melhorar de vida surgiu quando foi incluída no Bolsa Família, em 2011.

O dinheiro complementava a renda do marido, que trabalha em uma loja de material de construção. Ajudava a comprar roupas e alimentos para os três filhos. Mas Simone era inquieta. Queria aproveitar tudo o que ofereciam para melhorar sua vida e de sua família. Viu os panfletos para cursos gratuitos oferecidos pelo Pronatec e logo se inscreveu para pedreira de alvenaria.

“Escolhi esse curso porque já tinha ajudado a levantar a casa do meu pai, fazendo massa, carregando tijolo e levantando parede”, conta. Ao terminar o curso, Simone se candidatou a uma vaga em uma das maiores empresas de celulose do Rio Grande do Sul.

Como demoravam a chamar, não hesitou e fez também o curso de carpinteira. O emprego apareceu em 2013 e ela finalmente passou a fazer parte do quadro de funcionários da empresa. Quatro meses depois, veio a promoção. O salário aumentou de R$ 880 para R$ 1,5 mil, mais tíquete alimentação de R$ 320. Hoje, a renda mensal dela e do marido soma R$ 2,2 mil.

Assim como Simone, parte dos beneficiários do Bolsa Família que deixaram o programa são hoje novos empreendedores. Brasileiros que buscaram qualificação profissional, se colocaram no mercado de trabalho ou se formalizaram como microempreendedores, com a ajuda de programas como o Pronatec ou o Programa Crescer, de crédito orientado para produção.

Simone conta também que, no primeiro dia de trabalho, o corpo todo tremia, numa mistura de nervoso com alegria. Quase morreu de vergonha quando pisou na obra, lembra, porque grande parte dos trabalhadores eram homens. Com o tempo, foi se acostumando. Quando completou um ano, comprou um bolo – de padaria mesmo – para comemorar. Hoje tem vários amigos no local de trabalho. Ela agora sonha em fazer um supletivo e conquistar novos espaços no mercado.

Melhoria da renda familiar
Com o salário de Simone, a vida de toda a família mudou para melhor. Hoje, ela e o marido conseguem pagar uma pessoa para tomar conta da filha caçula de três anos. “Antes, queria comprar uma roupa para os guris e não podia. Não tinha como comprar, porque era só o salário dele. Agora, eu posso comprar, no mesmo mês, roupas para todos eles”, conta orgulhosa.

A família também comprou um carro popular e, em outubro do ano passado, pagou a última prestação. Eles já tiveram outro carro “tão velho que nem funcionava”, lembra a pedreira. Quanto aos sonhos, Simone agora quer construir a casa própria e deixar de pagar aluguel.

Pronatec Brasil Sem Miséria

Simone é um exemplo do quanto os cursos de qualificação profissional oferecidos pelo governo federal ajudaram a mudar a vida de milhares de brasileiros, de todos os cantos do País. Desde 2011, o Pronatec para o público do Brasil Sem Miséria oferece mais de 620 cursos orientados à população inscrita no Cadastro Único e registrou, nesse período, mais de 1,5 milhão de matrículas, de norte a sul do Brasil.

Terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 às 13:20

Presidenta Dilma inaugura em Campo Grande primeira Casa da Mulher Brasileira

Terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 às 13:13

Dilma: Estado atuará de forma unificada com tolerância zero à violência contra mulher

"Mato Grosso do Sul não será mais reconhecido como lugar de violência contra a mulher. Aqui vamos pegar o touro à unha", declarou a presidenta em Campo Grande. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“Mato Grosso do Sul não será mais reconhecido como lugar de violência contra a mulher. Aqui vamos pegar o touro à unha”, declarou a presidenta em Campo Grande. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Durante inauguração nesta terça-feira (3), em Campo Grande (MS), Dilma Rousseff afirmou que a Casa da Mulher Brasileira viabiliza a ação conjunta de todos os órgãos do Estado em política de combate à violência contra a mulher. A cidade é a primeira das 27 capitais a instalar a Casa, um dos eixos do programa Mulher, Viver sem Violência.

“Nessas casas nós queremos viabilizar o ataque conjunto de todos os órgãos do estado brasileiro, de todos os órgãos da federação, das polícias, da Defensoria Pública, do Ministério Público, juntos atuando de forma unificada para garantir que, de fato, o Estado brasileiro, não importa que governo, tenha tolerância zero em relação a violência que se abate sobre a mulher. Eu tenho certeza que nós aqui vamos pegar o touro à unha, nós todas e todos os nosso companheiros, parceiros também. (…) É dever nosso, dever de todos nós, assegurar que a mulher viva sem medo, que tenha direito de construir a sua vida sem medo e sem ofensa.”

A instalação da primeira casa do País em Mato Grosso do Sul é emblemática, uma vez que o estado é o 2º com mais casos de estupro no Brasil: um a cada sete horas, estatística que leva em consideração apenas os casos registrados nas polícias. Campo Grande é a capital com a maior taxa de atendimentos registrados na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, segundo o Balanço Anual de 2014. A unidade da Casa da Mulher terá como missão demonstrar para todo o Brasil, com um exemplo de atendimento, acolhimento e apoio à mulher, que é possível mudar a cultura de violência de gênero.

Dilma lembrou também a efetividade de outras ações e programas do governo em mudar essa cultura. Ela citou o Ligue 180, instrumento que aproximou a mulher da denúncia; o fortalecimento do atendimento às mulheres nas fronteiras secas do País, com três centros de atendimento em funcionamento e outros sete a serem construídos este ano; e os ônibus que realizam atendimento à mulher. Além disso, Dilma ressaltou a importância das política que empoderam a mulher como indutor da transformação cultural.

“Nós temos ações que visam reforçar a autonomia da mulher. Eu quero destacar a primeira ação, o Bolsa Família – 93% da pessoas que recebem são mulheres, o que reforça a autonomia das mulheres, e que foi importante para empoderar as mulheres mais pobres do nosso país. O Minha Casa, Minha Vida – nós já entregamos em torno de 2 milhões de moradias, 1,15 milhão sendo construídas e nós vamos contratar mais 3 milhões de moradias até o final de 2018. No caso das famílias de mais baixa renda, que é a maioria, temos até agora 89% das moradias tendo as mulheres como proprietárias, porque o Minha Casa, Minha Vida tem o objetivo de reforçar a estrutura familiar.”

Dilma falou também da construção de 6 mil creches contratada em seu primeiro mandato em parceria com os municípios. “É também para a mulher porque ela precisa trabalhar e ter onde se sinta segura em deixar seus filhos, é um incentivo a possibilidade de trabalho”, disse. Ela relacionou ainda o Pronatec, em que 58% dos alunos são mulheres; do Prouni, em que as mulheres são 53% dos bolsistas; e do Fies, 59%. “Isso mostra que as mulheres estão fazendo por si. Elas não se conformam em ser vítimas da violência. Não estamos falando de mulheres passivas, de mulheres que se conformam, estamos falando de mulheres que lutam e se elas lutam, é dever do Estado garantir proteção a elas”, disse.

Lugar de superação
Na conclusão de seu discurso, a presidenta citou Manoel de Barros, e com liberdade poética disse que as paredes da primeira Casa da Mulher Brasileira representam para as mulheres superação e abertura para a liberdade.

“O poeta Manoel de Barros, sul-mato-grossense de residência, [disse] que a palavra parede não seja símbolo de obstáculos da liberdade. Hoje nós estamos vendo essas paredes. Eu tenho certeza que um poeta, ele tem a capacidade de revelar de uma forma emocional, uma forma que todo nós entendemos. E ele fez isso com muita argúcia: a parede pode ser um local de superação, um local de abertura para a liberdade. Que essa Casa da Mulher, que essa Casa da Mulher mato-grossense-do-sul seja uma casa onde nós vamos ter um dos instrumentos maiores de liberdade. Tolerância zero contra o agressor, tolerância zero contra a violência.”

Confira a íntegra

Quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 às 0:04

Íntegra – Discurso da presidenta Dilma Rousseff na Reunião de Cúpula da Celac 2015

Quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 às 23:10

Síntese do discurso da presidenta Dilma na Celac

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