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Sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 às 10:51

Acordo climático não sairá com meias palavras e barganhas

Blog do Planalto na COP15O mundo não chegará a um acordo climático com meias palavras e barganhas, com a assinatura de qualquer documento, sem um compromisso forte com metas de redução de emissões de CO2 e a garantia do direito das nações mais pobres de se desenvolverem. Ao ser chamado nesta sexta-feira (18/12) pela segunda vez para falar na sessão plenária final da 15ª Conferência da ONU sobre Clima (COP 15), em Copenhague (Dinamarca), o presidente Lula afirmou que, se necessário, o Brasil pode até fazer um sacrifício a mais e contribuir com o fundo para financiamento de países mais pobres, mas lembrou que dinheiro apenas não resolveu o problema no passado, não está resolvendo no presente, nem resolverá no futuro.

Em seu discurso na plenária da 15a. Conferência da ONU sobre Clima, em Copenhague, o presidente Lula fez veemente defesa do direito das nações mais pobres se desenvolverem e afirmou que o Brasil não veio ao encontro 'barganhar metas'. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em seu discurso na plenária da 15a. Conferência da ONU sobre Clima, em Copenhague, o presidente Lula fez veemente defesa do direito das nações mais pobres se desenvolverem e afirmou que o Brasil não veio ao encontro 'barganhar metas'. Foto: Ricardo Stuckert/PR

No discurso improvisado que fez, bastante aplaudido pelos chefes de Estado presentes à plenária, Lula lembrou de sua posse em 2003, quando assumiu o compromisso de garantir que cada brasileiro pudesse tomar café da manhã, almoçar e jantar. Algo que para o mundo desenvolvido é coisa do passado, mas para países africanos, latino-americanos e muitos asiáticos, ainda é coisa do futuro:

E isso está ligado à discussão que estamos fazendo aqui, porque não é discutir apenas a questão do clima. É discutir desenvolvimento e oportunidades para todos os países.

Veja trecho do discurso:

Para ver mais trechos do discurso, clique aqui. Para baixar um arquivo de vídeo, clique aqui.

Ouça aqui a íntegra:

 

Leia aqui a íntegra do discurso.

Mais do que apenas dinheiro, disse o presidente, é preciso garantir o direito dos países mais pobres se desenvolverem e protegerem o meio ambiente e suas florestas. Disse ainda que o dinheiro colocado na mesa de negociações pelos países desenvolvidos não é favor nem esmola:

Os países pobres precisam de dinheiro para manter seu desenvolvimento. É importante que nós, os países em desenvolvimento e os países ricos, quando pensarmos em dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, dando uma esmola. O dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento pela emissão de gases de efeito estufa por quem teve por dois séculos o privilégio de se industrializar primeiro. Não é uma barganha de quem tem ou não dinheiro. É um compromisso mais sério (…) Quem tem mais recursos e mais possibilidades precisa garantir a contribuição para proteger os mais necessitados.

O presidente Lula afirmou estar um pouco frustrado com as negociações até aqui e cobrou respeito aos princípios do Protocolo de Kyoto e da Convenção do Clima. Lembrou que o Brasil apresentou uma proposta ousada de redução de emissões, baseada em ações na agricultura, siderurgia, aprimoramento da matriz energética e redução do desmatamento na Amazônia em 80% até 2020, e que esse compromisso foi transformado em lei pelo Congresso Nacional. O Brasil, afirmou Lula, não veio a Copenhague barganhar suas metas:

O Brasil não veio barganhar. As nossas metas não precisam de dinheiro externo. Nós iremos fazer com os nossos recursos, mas estamos dispostos a dar um passo a mais se a gente conseguir resolver o problema que vai atender, primeiro, a manutenção do desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício.

Lula afirmou que, por ser religioso, acredita em milagre e que, em algum momento, “um anjo ou sábio vai colocar em nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora”. Segundo ele, é preciso sim preservar o futuro do planeta, mas isso não pode ser feito com o sacrifício de homens, mulheres e crianças.

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