Terça-feira, 6 de abril de 2010 às 18:53
A superação do impossível na Olimpíada Brasileira de Matemática
Presidente Lula com alunos premiados na quinta edição da Olimpíada Brasileira de Matemática, em cerimônia realizada no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O impossível não existe e três jovens que ganharam medalhas na quinta edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), realizada no ano passado, são a maior prova disso, afirmou o presidente Lula durante a cerimônia de premiação do evento realizada nesta terça-feira (6/4) no Rio de Janeiro. Ricardo Oliveira da Silva, Jocekleyton Ramalho e Caio Coutinho foram citados pelo presidente em seu discurso como exemplos de determinação e superação, que devem ser seguidos por todos.
A solenidade é da matemática, mas quero começar fazendo uma referência à língua portuguesa. Na verdade, a uma das palavras mais temerosas da língua portuguesa: a palavra “impossível”. Um termo que muitos vencedores e vencedoras desta Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas com certeza riscaram de seus dicionários. “O impossível não existe”. O autor dessa frase é um jovem que teria muitos motivos para entregar os pontos e se render à impossibilidade. Mas o Ricardo Oliveira da Silva fez exatamente o contrário. E por isso, é um dos símbolos desta Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.
Ricardo sofre de atrofia de tecido muscular, é filho de lavradores pobres e até poucos anos morava num sítio isolado no interior do Ceará. Seu pai o levava para o local da prova da Olimpíada empurrando um carrinho de mão -- a estrada de chão era acidentada demais para uma cadeira de rodas. Apesar de todas dificuldades, Ricardo conquistou na edição 2009 da Olímpiada sua quarta medalha de ouro.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula:
Os outros dois personagens citados pelo presidente também provaram ser a palavra ‘impossível’ algo nada assustador para quem tem força de vontade. Jocekleyton Ramalho, de Natal, também é de família muito simples e estudou a vida inteira em escola pública. Na Olimpíada, ganhou uma medalha de prata, três de bronze e uma menção honrosa. Ganhou uma bolsa de iniciação científica e passou no vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Já Caio Coutinho, de Ipatinga (MG), de 13 anos, luta contra a leucemia e foi internado em outubro de 2009. Mas fez questão de fazer a prova da Olimpíada, no quarto do hospital, ainda tomando os medicamentos do tratamento, na veia. Valeu o esforço: Caio conquistou uma menção honrosa.
O sucesso da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas pode ser medido pelo número recorde de inscritos para a edição deste ano: são mais de 20 milhões de alunos inscritos, segundo informou o próprio presidente Lula durante o seu discurso. Após pedir um minuto de silêncio para as vítimas das chuvas no Rio, Lula fez questão de homenagear também os professores que ajudaram cada aluno a participar da Olimpíada.
Esse país tem um povo extraordinário que quando provocado sabe como reagir. O que existe é o ser humano que teve e o que não teve oportunidade. Quero dar os parabens aos professores que participam dessa olimpiada. Que se dedicam e também dizer aos alunos eu entreguei o futuro desse país aos medalhistas de ouro que participaram desta olimpíada.
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