Segunda-feira, 3 de agosto de 2009 às 0:25
A emoção de colher bons frutos
A formatura de beneficiários do Bolsa Família que participaram do programa de qualificação profissional PlanSeq, em Belo Horizonte, levou o presidente Lula a uma viagem ao passado, quando enfrentou e superou adversidades até conseguir uma profissão. Lula ficou visivelmente emocionado com as histórias de alguns dos formandos, como Mônica Coelho Barros e Vírginia Barbosa, mães que dependem do Bolsa Família para criar sozinhas seus filhos e que agora, graças ao programa, conseguiram uma profissão – Mônica será pedreira e Virgínia vai ser operadora de betoneira. “A vida é muito difícil, mas quem não luta tem muito mais dificuldade do que as pessoas que lutam”, afirmou Lula, apontando a história das duas novas profissionais do setor de construção civil como símbolos do que se deve esperar de todo governante:
Na verdade, se todo governante de uma cidade, de um estado ou de um país resolvesse colocar parte do dinheiro público para cuidar dos pobres, o país seria menos pobre, a gente teria menos pobres, as empresas produziriam mais, o comércio venderia mais. Eu não sei quem foi o ignorante que um dia resolveu achar que o Brasil poderia conviver com 10% altamente ricos, com uma classe média de 30% e com o restante da sociedade sem ter sequer o que comer.
Lula lembrou que essa lógica perversa de deixar grande parte da população fora do mercado de consumo é ruim mesmo para os grandes empresários de qualquer país do mundo. Afinal, quanto mais gente ganhar, mais gente vai consumir, mais o comércio vai vender, mais a indústria vai produzir, mais empregos vai gerar e “a roda da economia vai se desenvolvendo, sem que a gente tenha preocupação”.
O presidente se emocionou ao lembrar que já viveu o mesmo drama de pessoas que se desdobram para aproveitar as oportunidades que aparecem para melhorar de vida, e disse que o investimento do governo para ajudar os mais pobres só traz benefícios para a sociedade:
E é exatamente por já ter passado por tudo o que passam milhões de brasileiros, é que eu fico inconformado de a gente não fazer muito mais do que a gente está fazendo, para que a gente apresse a subida de degrau na vida das pessoas mais pobres do país. Ora, se a gente ajudar os mais pobres, não é o empresário que vai perder. Porque veja o milagre que está acontecendo aqui. Quanto custou dar o orgulho profissional a essas pessoas que se formaram? Quanto custou mil alunos, dois mil alunos? É nada, é nada, é quase nada para o governo e quase nada para o empresário, e o ganho é extraordinariamente alto, porque a gente passa, em vez de ter cidadãos de segunda classe, a gente conquista homens e mulheres de primeira classe, que vão, agora, poder escolher o seu emprego, trabalhar onde quiser e até trabalhar por conta própria se quiser. Não tem conquista mais importante do que essa. Lamentavelmente, lamentavelmente, leva tempo para a gente fazer as pessoas compreenderem as coisas que a gente tem que fazer para a parte mais pobre da sociedade. Leva tempo, porque o pobre, além de ser pobre, é vítima de um preconceito incansável. Eu diria que não tem nem como a gente medir o preconceito que a maioria do povo tem.
Lula criticou ainda os que insistem em considerar o programa Bolsa Família uma esmola, demagogia ou assistencialismo. Segundo o presidente, é inconcebível pensar que uma pessoa que ganha um benefício de R$ 85 vai deixar de querer progredir para conquistar um salário de R$ 616, como o conseguido agora pela recém-formada pedreira Mônica, citada no início do discurso. Essa forma simplista de ver as coisas, afirmou Lula, impede as pessoas de verem que o Brasil está dividido “entre as pessoas que tiveram oportunidade e as pessoas que não tiveram chance sequer de concluir o curso em que estavam se formando”.
Clique aqui e ouça a íntegra do discurso do presidente Lula.










