Sábado, 28 de novembro de 2009 às 21:55
Para a criançada fazer a festa, família e educação são essenciais
Prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho, e presidente Lula durante cerimônia de inauguração do Espaço Cidade dos Direitos da Criança e do Adolescente Dona Lindu. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Durante a cerimônia de inauguração da Cidade dos Direitos da Criança e do Adolescente em São Bernardo do Campo (SP), as crianças foram as estrelas da festa. Depois do discurso emocionado do Alisson Lincoln, que ficou super nervoso no palco mas conseguiu dizer muito bem o que queria, agradecendo a criação do espaço feito especialmente para as crianças, um grupo de jovens da Fundação Criança fez uma apresentação musical para o presidente Lula, os ministros do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Patrus Ananias, e dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho. Em sua fala, Lula destacou a importância de as crianças serem tratadas com respeito e dignidade, e que tenham oportunidade de construir um bom futuro.
Para Lula, além do problema social que resulta em pessoas sem esperança, o Brasil está enfrentando um grave problema de desagregação da família, resultado de mais de 25 anos sem investimento em ensino de todos os níveis. O presidente acredita que o único jeito de mudar a realidade é com a estruturação das famílias e investimento em educação, afinal “tudo começa a partir do amor dentro do espaço do convívio familiar”.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
O presidente criticou o tratamento repressivo que historicamente foi dado aos jovens infratores do Brasil em instituições como a extinta Febem, que não tinham caráter educativo. “Com um modelo como o da Febem não é possível domesticar nem cachorro, quem dirá um ser humano”, afirmou Lula. Ele acredita nas diretrizes da nova política para atendimento dos adolescentes em conflito com a lei, que valoriza as medidas em meio aberto e enfatiza os aspectos pedagógicos. Trata-se do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
Para Lula, iniciativas como a Cidade dos Direitos da Criança e do Adolescente podem resgatar o presente e dá novo significado ao futuro de meninos e meninas que merecem cuidado, dignidade e respeito, envolvendo toda a família dos jovens. Para exemplificar o que passam muitos jovens dos Brasil, que não merecem ser julgados superficialmente por agirem mal e merecem uma segunda chance, Lula contou a história de três garotos que conheceu na Praça da Sé, em São Paulo, em 1998, antes de ser presidente. Quando conheceu os meninos que moravam na Praça, sem cuidado e sem perspectiva, levou os garotos para casa para tomarem banho, vestirem roupas limpas e jantarem. Ele queria que os meninos dormissem lá enquanto pensava numa saída para eles, mas percebeu que tinham pressa para voltar para a rua. Aquelas crianças não confiavam em adultos, não acreditavam na família.
Tempos depois encontrou de novo os garotos e deu roupas e sapatos novos para eles, mas logo soube que eles haviam vendido tudo para comprar drogas. Foi então que Lula se prontificou a levá-los de volta para a casa dos pais, para tentarem mudar de vida, mas logo percebeu que “era o último lugar que eles queriam ir”. Não era para menos, levando em conta a história de um deles enquanto morava com a mãe. O garoto era constantemente espancado pelo namorado da mãe, que tinha como hobby fazer a criança de saco de pancadas. Nessas condições, é fácil perceber porque ele optou por viver na rua.
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